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EUA preparam envio de drones para operações antidrogas na América do Sul

MQ-9 Reaper devem ser deslocados da África para o Comando Sul em meio à ampliação da cooperação militar na região

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  • Estados Unidos prepara transferência de drones MQ-9 Reaper da África para América do Sul, em operações contra narcotráfico e grupos terroristas.
  • Drones serão realocados para o Comando Sul dos EUA, que atua na América do Sul e Caribe, com possíveis ações no Equador.
  • Transferência faz parte da ampliação da presença militar dos EUA na região, com foco em combate ao narcotráfico e grupos classificados como terroristas.
  • Colômbia e Panamá integram estratégia americana, com uso de drones para monitoramento e ataques contra redes de tráfico de drogas.
  • Operações contra embarcações no Caribe e Pacífico Oriental continuam, com mortes de tripulações e debates sobre eficácia das ações.
Drone MQ-9 Reaper do exército norte-americano | Foto: Divulgação, U.S. Air Force Photo
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Os Estados Unidos preparam a transferência de drones militares MQ-9 Reaper da África para a América do Sulem uma movimentação que ocorre em meio à ampliação das operações americanas contra o tráfico de drogas e grupos classificados como terroristas. Segundo fontes ouvidas pela CNN, os equipamentos serão deslocados para o Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), responsável pela área que inclui a América do Sul e o Caribe. Ainda não foi definido quantos drones serão transferidos, mas uma das fontes afirmou que a maioria dos MQ-9 atualmente vinculados ao Comando África pode ser realocada.

Drones podem atuar em operações

Os MQ-9 Reaper são utilizados pelos Estados Unidos para vigilância, coleta de informações e ataques de precisão, a transferência ocorre antes de operações antidrogas e antiterrorismo planejadas na região, incluindo possíveis ações no Equador, país que passou a realizar operações militares em parceria com os EUA contra organizações classificadas como terroristas pelo governo americano.

A movimentação faz parte de uma ampliação da presença militar dos Estados Unidos na América do Sul. O SOUTHCOM já mantém operações na região voltadas ao combate de organizações ligadas ao narcotráfico e, em setembro, divulgou ações realizadas em parceria com autoridades equatorianas contra redes consideradas de narcotráfico.

Ainda há discussões dentro do governo americano sobre a possibilidade de destinar parte dos drones ao Oriente Médio, depois de perdas de equipamentos durante a guerra contra o Irã. A transferência para fora da África também ocorre apesar da continuidade das ameaças de grupos como Estado Islâmico (ISIS) e al-Shabaab no continente.

Militares dos EUA afirmam ter atingido embarcação no Caribe, matando três pessoas - Foto: Reprodução/X/SOUTHCOM

América do Sul ganha prioridade

A mudança ocorre em um momento de revisão das prioridades militares dos Estados Unidos. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, estabeleceu a defesa do território americano e do Hemisfério Ocidental como uma das prioridades centrais do Pentágono.

Em agosto, Hegseth participou, no Panamá, do fórum da Coalizão das Américas contra os Cartéis (A3C) e defendeu a ampliação das ações conjuntas com países da região. Durante o encontro, afirmou que a Colômbia havia solicitado colaboração americana em operações militares conjuntas contra grupos classificados por Washington como terroristas.

A estratégia também envolve outros países. Na quarta-feira (16), os Estados Unidos entregaram ao Panamá quatro drones K1000 de longo alcance, avaliados em mais de US$ 6 milhões. Segundo a Embaixada dos EUA, os equipamentos serão usados pelo Serviço Nacional Aeronaval do Panamá para monitorar áreas remotas, corredores marítimos e redes de tráfico de drogas e de pessoas.

Colômbia amplia cooperação

A Colômbia também passou a integrar a estratégia americana de combate ao narcotráfico. Em agosto, Hegseth afirmou que o governo do presidente Abelardo de la Espriella havia autorizado a realização de operações militares conjuntas com os Estados Unidos no país. A proposta envolve ações contra grupos armados classificados por Washington como organizações terroristas.

Segundo informações divulgadas anteriormente, também existe um acordo para que três drones MQ-9A Reaper sejam utilizados pela Colômbia no monitoramento de corredores de narcotráfico e em possíveis ataques de precisão.

Operações contra barcos no Caribe

A transferência dos drones ocorre após meses de operações americanas contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico Oriental. O SOUTHCOM informou que realizou diferentes ataques e interceptações na região, inclusive em operações coordenadas com países parceiros.

Nas últimas semanas, os Estados Unidos também passaram a adotar operações de interceptação nas quais tripulações são retiradas das embarcações e transferidas para países parceiros antes de os barcos serem afundados.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que a mudança está relacionada à necessidade de realizar as ações em coordenação com os países onde as operações ocorrem.

“Quando você conduz uma operação conjunta em águas territoriais, é preciso chegar a um entendimento sobre como essas operações vão ocorrer.”

Segundo Rubio, cada país possui suas próprias leis e procedimentos, o que influencia a forma como as operações são conduzidas.

EUA mantêm ataques contra embarcações

Apesar da mudança de estratégia, os Estados Unidos não abandonaram os ataques contra embarcações tripuladas. O governo americano informou que, em 9 de setembro, três integrantes de uma tripulação foram mortos durante uma ação contra uma embarcação que seria utilizada no tráfico de drogas.

Desde o início da campanha, mais de 200 pessoas morreram em ataques americanos contra embarcações suspeitas de tráfico, segundo levantamentos divulgados pela imprensa americana. A eficácia das ações, porém, é questionada por autoridades policiais e especialistas ouvidos anteriormente, que apontam que os grupos criminosos podem ter alterado rotas e métodos de transporte.

Debate sobre uso da força

A ampliação das operações também ocorre após o governo Trump produzir uma opinião jurídica sigilosa sobre o uso de força letal contra cartéis e suspeitos de tráfico de drogas. Segundo pessoas familiarizadas com o documento, a análise teria defendido a autoridade presidencial para ordenar ataques contra organizações consideradas ameaça iminente aos Estados Unidos.

O conteúdo completo da avaliação jurídica não foi divulgado publicamente. A interpretação, segundo as informações fornecidas por fontes familiarizadas com o assunto, envolveria uma lista secreta de organizações e indivíduos considerados alvos.

A transferência dos MQ-9 para a América do Sul, portanto, ocorre em um cenário de maior cooperação militar dos Estados Unidos com governos da região, com foco declarado no combate ao narcotráfico e a organizações classificadas por Washington como terroristas.

Com informações de CNN

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