- Estados Unidos oferece recompensa de US$ 15 milhões por informações que levem à captura de Juancho, líder da Tren de Aragua.
- Juancho fugiu de Roraima após retirar tornozeleira eletrônica e usar sósia para evitar prisão domiciliar em Boa Vista.
- Organização Tren de Aragua é classificada como terrorista estrangeira pelos EUA e atua em múltiplos países da América Latina.
- Juancho é acusado de comandar atividades criminosas, incluindo exploração de ouro e ataques contra comunidades indígenas.
- Extradição de Juancho foi autorizada pelo STF, e ele está na lista de procurados da Interpol.
Os Estados Unidos oferecem uma recompensa superior a US$ 15 milhões, cerca de R$ 82 milhões, por informações que levem à captura de Juan Gabriel Rivas Núñez, de 45 anos, apontado como um dos líderes da facção criminosa venezuelana Tren de Aragua. Conhecido como Juancho, ele fugiu de Roraima após retirar a própria tornozeleira eletrônica e colocar o equipamento em um sósia. Na época, cumpria prisão domiciliar em uma residência no bairro Paraviana, na zona Leste de Boa Vista.
A recompensa foi anunciada pelo Programa de Recompensas para o Crime Organizado Transnacional dos Estados Unidos. Uma imagem do venezuelano, que também utiliza os nomes Negro Juancho e Wilson Stalyn Aponte Rodríguez, foi divulgada na sexta-feira (6), no perfil do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei dos Estados Unidos (INL, na sigla em inglês).
O órgão atua no combate ao tráfico de drogas, ao crime organizado transnacional e ao tráfico de pessoas. Na mesma publicação, também foram apresentados outros integrantes da facção procurados pelas autoridades norte-americanas.
Quem é Juancho, líder da Tren de Aragua?
Juan Gabriel Rivas Núñez é apontado como um dos principais subordinados de Yohan José Romero, cofundador e atual líder da Tren de Aragua. Segundo informações do programa norte-americano, Juancho é responsável por comandar atividades criminosas da organização na Venezuela.
Anteriormente conhecida como Sindicato Juancho, a organização atua desde pelo menos 2009 e possui operações criminosas relacionadas à exploração de ouro no país.
O venezuelano é apontado como líder de uma das maiores organizações criminosas do estado de Bolívar, que controla áreas importantes de mineração de ouro na região de Las Claritas. Ele é investigado por crimes como homicídio, tráfico de armas e extorsão, além de conflitos com comunidades indígenas.
Entre os casos atribuídos ao grupo estão ataques contra integrantes do povo indígena Arawaco, em 2022.
Em 29 de julho de 2026, uma nova acusação apresentada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul do Texas atribuiu a Juancho o crime de conspiração para fornecer apoio material a uma organização terrorista estrangeira.
O que é a facção Tren de Aragua?
A Tren de Aragua é uma organização criminosa transnacional de origem venezuelana, surgida no estado de Aragua no início dos anos 2000. Ao longo dos anos, o grupo expandiu sua atuação para diferentes países da América Latina, como Colômbia, Peru, Equador, Chile e Brasil, além dos Estados Unidos.
A organização é classificada pelo governo norte-americano como Organização Terrorista Estrangeira desde 2025.
No Brasil, Roraima é apontado como um corredor logístico utilizado pela facção, inclusive para o fornecimento de armas de guerra.
Prisão por contrabando de ouro e fuga em Roraima
Juancho foi preso em novembro de 2023, em Boa Vista, suspeito de comandar um esquema de contrabando de ouro na Venezuela. Após passar um período na prisão, ele conseguiu autorização para cumprir prisão domiciliar na residência onde morava com a esposa e os quatro filhos.
A fuga ocorreu no início de 2025 e foi descoberta em 10 de maio daquele ano, quando equipes da Central de Monitoramento Eletrônico foram até o imóvel para realizar a troca da tornozeleira.
No local, os agentes encontraram outra pessoa, com características físicas semelhantes às de Juancho, utilizando o equipamento eletrônico. A situação levantou suspeitas de que o venezuelano havia deixado a residência.
Após verificações, a fiscalização constatou que a tornozeleira estava sendo utilizada por um sósia. Antes da chegada dos agentes, ele também havia deixado o imóvel sem o equipamento.
A extradição de Juancho para a Venezuela já havia sido autorizada pelo ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). O venezuelano também foi incluído na lista de procurados da Interpol.