- Estados Unidos, Israel e Líbano assinam acordo para reduzir tensões no território libanês.
- Acordo prevê desarmamento do Hezbollah e retirada de tropas israelenses do sul do Líbano.
- Primeiro-ministro israelense anuncia início da retirada de tropas após assinatura do pacto.
- Hezbollah não participou das negociações e já sinalizou rejeição ao desarmamento.
- Conflito entre Israel e Hezbollah persiste há décadas, com intensificação após guerra na Faixa de Gaza.
Os Estados Unidos, Israel e o Líbano assinaram nesta sexta-feira (26/6) um acordo trilateral que busca reduzir as tensões e promover maior estabilidade no território libanês. O entendimento foi anunciado após uma rodada de negociações realizada em Washington.
Segundo o Departamento de Estado norte-americano, o documento estabelece medidas como o desarmamento do Hezbollah, a retirada das Forças de Defesa de Israel (FDI) de áreas do sul do Líbano e a devolução de territórios atualmente sob controle israelense às autoridades libanesas.
O governo dos Estados Unidos também assumiu o compromisso de fortalecer e modernizar as Forças Armadas Libanesas (FAL).
O acordo foi formalizado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pela embaixadora do Líbano em Washington, Nada Hamadeh Moawad, e pelo embaixador de Israel nos Estados Unidos, Yechiel Leiter.
Poucas horas após a assinatura do pacto, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou a retirada de tropas de duas regiões no sul do Líbano. No entanto, afirmou que uma saída completa das forças israelenses dependerá do desarmamento do Hezbollah.
Apesar do avanço diplomático, ainda há dúvidas sobre a efetividade do acordo. Isso porque o Hezbollah não participou das negociações e já sinalizou que não pretende cumprir uma das principais exigências do documento.
Logo após a cerimônia em Washington, o secretário-geral do grupo, Naim Qassem, declarou que a "resistência continuará a existir, permanecer presente e manter sua decisão", indicando que a organização xiita não aceita abrir mão de seu arsenal.
Conflito de longa duração
Os confrontos entre Israel e Hezbollah se estendem há décadas e ganharam intensidade após o início da guerra na Faixa de Gaza, em 2023.
Em meados de fevereiro deste ano, os ataques voltaram a se intensificar depois das ações militares realizadas por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Como resposta, o Hezbollah promoveu ofensivas contra o território israelense e posições militares próximas à fronteira.
Israel reagiu com bombardeios direcionados ao sul do Líbano e também a áreas da capital libanesa.
Em abril, no mesmo período em que Estados Unidos e Irã anunciaram um cessar-fogo, foi divulgada uma trégua entre Israel e Hezbollah. No entanto, o acordo não chegou a ser respeitado pelas partes envolvidas.
O encerramento das operações militares israelenses em território libanês também integra as condições apresentadas pelo Irã nas negociações de paz conduzidas com os Estados Unidos.