- Estados Unidos desloca drones MQ-9 Reaper para Colômbia e Equador para combater narcotráfico e grupos terroristas.
- Aeronaves transferidas da África para América do Sul, sob comandos do SOUTHCOM e AFRICOM.
- Colômbia e Equador são parceiros-chave na estratégia militar americana contra narcotráfico e terrorismo.
- MQ-9 Reaper é usado em missões de inteligência e ataques de precisão em diversas regiões do mundo.
- Retirada de drones da África gera preocupação com limitação de recursos em operações contra extremistas.
Os Estados Unidos começaram a deslocar drones militares MQ-9 Reaper para a Colômbia e o Equador para apoiar operações contra o narcotráfico e grupos classificados como terroristas, segundo informações divulgadas pelo The New York Times nesta terça-feira (6). As aeronaves foram transferidas da África para a América do Sul no último mês, em meio à estratégia do governo de Donald Trump de ampliar a atuação militar no combate ao crime organizado na região. A movimentação havia sido antecipada pela CNN em setembro e o destino dos equipamentos foi posteriormente confirmado pelo jornal americano.
Drones saíram da África
O deslocamento envolve aeronaves que estavam sob responsabilidade do Comando dos Estados Unidos para a África (AFRICOM) e passaram a ser direcionadas ao Comando Sul dos Estados Unidos (SOUTHCOM), responsável pelas operações militares americanas na América do Sul.
Segundo informações obtidas pela CNN, seis fontes familiarizadas com o planejamento relataram em setembro que a maior parte dos MQ-9 Reaper utilizados na África poderia ser transferida para a região, em preparação para novas operações de combate ao narcotráfico e ao terrorismo.
O número exato de aeronaves deslocadas não foi divulgado. O Comando Sul dos EUA também optou por não comentar a operação quando procurado.
Colômbia e Equador são primeiros destinos
A Colômbia e o Equador estão entre os principais parceiros dos Estados Unidos na nova estratégia militar para a região.
Os dois países integram o chamado “Escudo das Américas”, também denominado Coalizão das Américas contra os Cartéis, iniciativa articulada pelo governo americano para ampliar a cooperação no combate ao narcotráfico e às organizações criminosas.
A estratégia envolve compartilhamento de inteligência e operações militares conjuntas. No caso do Equador, forças americanas e equatorianas já realizam operações conjuntas contra grupos classificados pelos dois governos como organizações terroristas.
A transferência dos Reaper ocorre ainda em um momento de aproximação militar entre Washington e governos sul-americanos. Autoridades do governo Trump têm destacado a cooperação de países como Equador e Colômbia em operações contra o narcotráfico.
Equipamento é usado em missões de inteligência
O MQ-9 Reaper é um dos principais drones militares dos Estados Unidos e pode ser empregado tanto na coleta de inteligência e vigilância quanto em ataques de precisão.
A aeronave é utilizada pelos Estados Unidos em operações contra organizações terroristas, incluindo ações na África. O equipamento também esteve envolvido em operações americanas no Oriente Médio.
A transferência para a América do Sul ocorre enquanto Washington amplia sua presença militar no continente e no Caribe. Nos últimos meses, os Estados Unidos já utilizaram drones, caças e outras aeronaves em operações relacionadas ao combate ao tráfico de drogas.
Mudança gera preocupação sobre operações na África
A retirada de parte dos drones da África ocorre apesar da continuidade das operações americanas contra grupos como Estado Islâmico (ISIS) e al-Shabaab no continente.
O AFRICOM continua realizando ataques e missões de inteligência contra organizações extremistas, mas a transferência dos MQ-9 reduz a quantidade de equipamentos disponíveis para essas operações.
Fontes ouvidas pela CNN apontaram justamente essa limitação de recursos como um dos fatores envolvidos na mudança. O governo americano passou a priorizar a defesa do território dos Estados Unidos e do hemisfério ocidental, enquanto mantém operações militares em outras regiões.
A mudança, portanto, coloca os drones transferidos no centro da estratégia americana de ampliação das operações contra o narcotráfico na América Latina, especialmente em países que mantêm acordos de cooperação militar com Washington.