- Cilia Flores pede prisão domiciliar por problemas cardíacos após ser detida em Nova York.
- Defesa afirma que unidade prisional não oferece atendimento médico adequado para ela.
- Flores e Maduro respondem a quatro acusações de tráfico de drogas e armamentos.
- Julgamento do casal está previsto para começar em 1º de junho de 2027.
- Captura ocorreu em janeiro, durante operação conjunta entre forças norte-americanas.
Cilia Flores, esposa do presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, pediu à Justiça dos Estados Unidos autorização para deixar a prisão federal onde está detida, em Nova York, e aguardar o julgamento em prisão domiciliar. O pedido foi apresentado na quarta-feira (9) e tem como justificativa problemas cardíacos.
Segundo o advogado Mark Donnelly, Flores, de 69 anos, estava saudável e não fazia uso contínuo de medicamentos antes de ser levada para os Estados Unidos. De acordo com a defesa, atualmente ela toma quatro remédios e apresenta um quadro cardíaco que exige exames das artérias coronárias e uma intervenção médica.
Defesa aponta falta de atendimento adequado
Os advogados do casal afirmam que a unidade prisional onde Flores está detida não oferece estrutura suficiente para que ela receba o atendimento médico considerado necessário.
Como alternativa à prisão, a defesa propôs que Flores cumpra prisão domiciliar nos Estados Unidos, sob medidas rígidas de segurança. Entre as condições sugeridas estão vigilância armada durante 24 horas, uso de tornozeleira eletrônica e entrega do passaporte às autoridades.
Flores está detida há mais de oito meses, desde a operação que levou ela e Maduro para os Estados Unidos.
Quem é Cilia Flores?
Advogada e uma das figuras de maior influência do chavismo, Cilia Flores construiu uma longa trajetória na política venezuelana.
Ela foi deputada e presidiu a Assembleia Nacional da Venezuela entre 2006 e 2011, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo. Posteriormente, exerceu outras funções no governo.
Flores mantém relacionamento com Maduro desde a década de 1990. Os dois se casaram em 2013.
acusações
O pedido de prisão domiciliar de Flores acontece poucos dias depois de Nicolás Maduro solicitar à Justiça americana a rejeição das acusações de tráfico de drogas apresentadas contra ele.
A defesa do ex-presidente invoca a imunidade de chefe de Estado. Os Estados Unidos, porém, não reconhecem Maduro como presidente da Venezuela desde 2019.
Washington também considera fraudulentas as eleições venezuelanas de 2018 e 2024, posição que também é compartilhada por governos de outros países europeus e latino-americanos.
Casal responde a quatro acusações
Flores e Maduro estão detidos em uma prisão no Brooklyn e aguardam julgamento por acusações relacionadas ao tráfico de drogas e armamentos.
Ao todo, eles respondem a quatro acusações: conspiração para cometer narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos explosivos.
O julgamento do casal está previsto para começar em 1º de junho de 2027, conforme decisão de um tribunal federal de Nova York anunciada no fim de julho.
Desde a primeira audiência na Justiça americana, Maduro afirma que foi “sequestrado” e se considera um “prisioneiro de guerra”.
Captura aconteceu em janeiro
As forças militares dos Estados Unidos capturaram Maduro e Flores em Caracas, em 3 de janeiro, durante uma operação que envolveu forças navais, aéreas e terrestres.
Após a saída de Maduro do poder, o governo interino de Delcy Rodríguez assumiu o comando da Venezuela e estreitou relações com Washington. Os Estados Unidos passaram também a exercer controle sobre as exportações de petróleo venezuelano.