SEÇÕES

“Eles não podem ter arma nuclear”: Trump rejeita proposta do Irã e mantém bloqueio de Ormuz

Presidente dos Estados Unidos afirma que medida seguirá até avanço em acordo nuclear

Ver Resumo
  • Donald Trump afirma não suspender bloqueio naval aos portos iranianos até acordo sobre programa nuclear do país.
  • O presidente dos EUA diz que a estratégia segue como forma de pressão direta sobre o Irã, e que o bloqueio é mais eficaz do que bombardeios.
  • Trump rejeitou proposta recente do Irã para reabrir o estreito, argumentando que a medida apenas adiaria as discussões sobre o programa nuclear.
  • O governo iraniano sustenta que não retomará negociações nem reabrirá a rota marítima enquanto as restrições navais permanecerem em vigor.
Presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington | Foto: REUTERS/Nathan Howard
Siga-nos no

O presidente Donald Trump afirmou à agência Axios que não pretende suspender o bloqueio naval aos portos iranianos enquanto não houver um acordo com Teerã sobre o programa nuclear do país. A medida mantém o impasse no Estreito de Ormuz, ponto estratégico que já provocou uma crise no mercado global de energia, principalmente do petróleo.

Segundo Trump, a estratégia segue como forma de pressão direta sobre o Irã.

“Bloqueio mais eficaz que bombardeios”

Segundo a agência, o presidente afirmou em entrevista por telefone na quarta-feira:

O bloqueio é um pouco mais eficaz do que os bombardeios. Eles estão sufocando como um porco recheado. E vai ser pior para eles. Eles não podem ter uma arma nuclear.

Proposta rejeitada e negociações travadas

Trump também declarou ter rejeitado uma proposta recente do Irã para reabrir o estreito, sob o argumento de que a medida apenas adiaria as discussões sobre o programa nuclear.

O bloqueio é o principal ponto de atrito entre Washington e Teerã. O governo iraniano sustenta que não retomará negociações nem reabrirá a rota marítima enquanto as restrições navais permanecerem em vigor.

Trump, por sua vez, afirma que não encerrará a operação até que o Irã aceite um acordo de paz para encerrar o conflito, que entrou em cessar-fogo após mais de dois meses de guerra e deixou impactos em toda a região.

Arte da bandeira dos Estados Unidos junto da bandeira do Irã - Foto: Manoel Augusto Moreno/Getty Images

Pressão militar e estratégia dos EUA

Mesmo com a manutenção do bloqueio, militares americanos teriam preparado um plano de ataques de curta duração e alta intensidade contra o Irã como forma de ampliar a pressão sobre o regime, segundo a Axios, com base em fontes ligadas às discussões.

Na terça-feira, Trump também tratou da possibilidade de estender o bloqueio em reunião com executivos do setor de petróleo e comércio exterior. O encontro contou com representantes de empresas como Chevron, Trafigura, Vitol e Mercuria Energy Group.

De acordo com um funcionário da Casa Branca, foram discutidas alternativas para manter a pressão sobre os portos iranianos, ao mesmo tempo em que se buscaria reduzir impactos sobre consumidores nos Estados Unidos.

Petróleo em alta e impacto global

Com o estreito parcialmente fechado há cerca de dois meses e sem perspectiva de reabertura, os preços do petróleo seguem em alta. Os contratos futuros do Brent chegaram a cerca de US$ 119 por barril em Londres.

A continuidade da restrição pode ampliar ainda mais a pressão sobre o mercado global de energia.

Reação do Irã

Do lado iraniano, autoridades não indicam recuo. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Trump de tentar forçar uma rendição por meio de pressão econômica e divisão interna, segundo a agência Tasnim.

Trump divide explicitamente o país entre linha-dura e moderados e, em seguida, fala imediatamente sobre um bloqueio naval para forçar o Irã a se render por meio de pressão econômica e divisões internas.

Para Ghalibaf, a única resposta possível é a unidade nacional.

Cenário político e econômico

Trump afirmou ainda que divisões internas no regime iraniano têm dificultado decisões estratégicas. Segundo ele, ataques conduzidos por EUA e Israel já teriam eliminado parte da liderança do país.

Apesar da pressão sobre os mercados, o governo americano sustenta que os preços de petróleo e combustíveis tendem a cair após o fim do conflito. Ainda assim, a alta das commodities pesa no cenário político dos Estados Unidos, especialmente às vésperas das eleições de meio de mandato.

Tópicos

VER COMENTÁRIOS

Carregue mais
Veja Também
ACESSE NOSSO
CANAL NO ZAP