O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira o presidente interino José Jerí por má conduta e inadequação ao cargo, após um processo de impeachment. Ele se tornou o sétimo chefe de Estado em 10 anos a cair no país. Jerí havia assumido a Presidência ao ocupar a chefia do Congresso em outubro e foi destituído por 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções — eram necessários 58 votos.
— Os presidentes das casas legislativas declaram vago o cargo de presidente da República — anunciou o presidente interino do Congresso, Fernando Rospigliosi.
País ficará temporariamente sem presidente
O Parlamento elegerá um novo titular na quarta-feira, que assumirá automaticamente a Presidência interina até 28 de julho. Segundo decisão do Congresso, o país ficará mais de 24 horas sem chefe de Estado, situação considerada inédita na história recente peruana.
Parte de uma crise política prolongada
A destituição ocorre em meio à crise institucional que o país enfrenta desde 2016, marcada por confronto entre um Legislativo forte e um Executivo fragilizado, além da fragmentação partidária e da falta de consenso político.
Do lado de fora do Congresso, manifestantes protestaram pedindo a saída de Jerí. O político enfrentou até sete moções de censura, impulsionadas por setores da esquerda e por partidos de direita que o acusavam de má conduta funcional e falta de aptidão para o cargo.
Sucessão após queda anterior
Jerí havia substituído a ex-presidente Dina Boluarte, destituída após protestos ligados a denúncias de corrupção e violência associada ao crime organizado.
Ele foi nomeado para completar o mandato até julho, quando um novo presidente deverá assumir após as eleições marcadas para 12 de abril. Pela Constituição, Jerí está impedido de disputar o pleito.