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Congressistas dos EUA acusam governo Trump de interferência no Brasil em carta

Carta enviada a Marco Rubio cita tarifas, sanções e medidas diplomáticas e cobra compromisso com resultado das eleições de 2026

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  • 31 congressistas norte-americanos acusam governo Trump de interferir nas eleições brasileiras de outubro.
  • Carta pede explicações sobre tarifas, sanções contra autoridades e classificação de PCC e Comando Vermelho como terroristas.
  • Parlamentares questionam justificativa da revogação do visto da embaixadora brasileira e ações contra instituições do país.
  • Documentos cobram compromisso do governo americano com o processo eleitoral e reconhecimento do resultado das urnas.
Congressistas dos EUA acusam governo Trump de interferência no Brasil | Foto: Reprodução
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Um grupo de 31 congressistas dos Estados Unidos enviou nesta quinta-feira (24) uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, na qual acusa o governo de Donald Trump de promover ações que poderiam interferir nas eleições brasileiras de outubro. O documento, liderado pela deputada Delia Ramirez e assinado pelo senador independente Bernie Sanders, pela deputada Alexandria Ocasio-Cortez (AOC) e por outros 29 deputados democratas, cobra explicações sobre medidas adotadas contra o Brasil e pede que Washington se comprometa a respeitar o processo eleitoral e reconhecer o resultado certificado pelas urnas.

Carta cita pressão sobre o Brasil

No documento, os parlamentares afirmam estar preocupados com o que classificam como uma atuação coordenada do governo Trump para pressionar o Brasil e interferir no ambiente político às vésperas da eleição presidencial.

Os congressistas citam como exemplos as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e as sanções contra autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo os parlamentares, o conjunto dessas medidas representaria uma interferência na soberania brasileira. A carta afirma ainda que as ações mais recentes apontariam para uma “aparente tentativa de interferir e potencialmente minar” as eleições brasileiras de outubro.

PCC e Comando Vermelho também são citados

Outro ponto mencionado é a decisão do governo americano de designar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.

Os parlamentares relacionam a medida ao encontro de Trump com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL). Na avaliação apresentada na carta, a classificação das organizações poderia abrir espaço para medidas extraterritoriais contra instituições brasileiras.

O documento afirma que autoridades brasileiras já manifestaram preocupação com a possibilidade de a designação ser utilizada como justificativa para medidas financeiras ou outras ações contra instituições do país.

Sanções contra Alexandre de Moraes

A carta também questiona os critérios utilizados pelo governo Trump para aplicar a Lei Global Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.

Os congressistas pedem ao Departamento de Estado uma explicação detalhada sobre os padrões jurídicos e probatórios considerados para a aplicação da sanção e questionam o que classificam como uma medida sem precedente contra um integrante do Judiciário de um país aliado.

Além disso, solicitam informações sobre a metodologia utilizada pelo governo americano para analisar pedidos de sanções apresentados por cidadãos estrangeiros.

Embaixadora brasileira também é mencionada

Os parlamentares citam ainda a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, medida que classificam como uma escalada nas relações diplomáticas entre os dois países.

Na carta, eles afirmam que a decisão se distancia do que consideram uma prática habitual entre países aliados e questionam o governo Trump sobre a justificativa utilizada para a medida.

Os congressistas também mencionam a atuação de autoridades americanas em relação ao sistema eleitoral brasileiro e questionam como o governo dos Estados Unidos pretende conciliar suas políticas de democracia e direitos humanos com as relações mantidas com países da América Latina.

Parlamentares cobram compromisso com as urnas

Ao final, os congressistas fazem dois questionamentos diretos ao governo Trump sobre as eleições brasileiras.

O primeiro é se os Estados Unidos “se comprometerão a respeitar o processo eleitoral do Brasil”. O segundo pergunta se o governo americano reconhecerá “o resultado certificado das eleições democráticas de 2026 no Brasil” e manterá relações diplomáticas regulares com qualquer candidato escolhido legitimamente pelos eleitores.

A carta também solicita respostas sobre os critérios para aplicação de sanções, a designação do PCC e do CV, a revogação do visto da embaixadora brasileira e a atuação americana em processos eleitorais e judiciais na América Latina.

Inicialmente, as informações sobre o documento foram divulgadas pela Folha de S.Paulo e posteriormente confirmadas por outros veículos. 

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