- Atacama registra chuva equivalente a quatro anos em quatro dias, superando 250 milímetros em alguns pontos.
- Governo chileno declara estado de exceção por catástrofe na província de Huasco, afetada pelo fenômeno.
- Volume de chuva ultrapassa registros de 2015 e 2017, tornando o evento extremamente anômalo para a região.
- Especialistas alertam para risco de enchentes, inundações e deslizamentos devido à intensidade da precipitação.
- Acumulado pode atingir até quatro vezes a média anual em áreas como vales e pré-cordilheira.
A região de Atacama, no norte do Chile, registrou um volume de chuva equivalente ao esperado para cerca de quatro anos em apenas quatro dias. O fenômeno, considerado extremo por especialistas, provocou acumulados superiores a 250 milímetros em alguns pontos do deserto mais seco do mundo e levou o governo chileno a decretar Estado de Exceção por Catástrofe na província de Huasco, uma das áreas mais afetadas.
Volume histórico
De acordo com veículos de imprensa chilenos, como Emol e ADN Radio, o acumulado de chuva já supera os índices registrados em eventos extremos ocorridos em 2015 e 2017, quando Atacama recebeu entre 200 e 250 milímetros de precipitação.
O sistema frontal que atinge grande parte do Chile tem provocado impactos significativos na região, conhecida justamente pelo clima extremamente seco e pela baixa ocorrência de chuvas ao longo do ano.
Evento climático extremo
Meteorologistas afirmam que o volume registrado foge completamente do comportamento climático habitual de Atacama. Ao Diario de Atacama, o meteorologista Jaime Leyton explicou que algumas localidades já ultrapassaram os 250 milímetros de chuva em apenas quatro dias.
Segundo o especialista, cerca de 240 milímetros representam, em média, toda a precipitação esperada para aproximadamente quatro anos na região, o que evidencia a intensidade do fenômeno.
Leyton também alertou que, em áreas do interior, como os vales e a pré-cordilheira, o acumulado pode alcançar o dobro ou até quatro vezes a média anual de chuva. Para ele, trata-se de um evento completamente anômalo em relação aos registros históricos disponíveis.
Risco de enchentes
Além do volume expressivo de precipitação, especialistas alertam para o aumento do risco de enxurradas, inundações e corridas de lama. Isso ocorre porque, após atingir sua capacidade máxima de absorção, o solo deixa de infiltrar a água, fazendo com que o excesso escoe rapidamente pela superfície.
A preocupação aumenta devido às semelhanças com os episódios registrados em 2015 e 2017, quando chuvas intensas provocaram enchentes e deslizamentos em Atacama. Como o acumulado atual já ultrapassou os níveis observados naquelas ocasiões, autoridades seguem monitorando a evolução do sistema frontal e os possíveis impactos nas áreas afetadas.