- Deputados chilenos de extrema direita apresentam projeto que obriga médicos a ouvir batimentos fetais antes do aborto legal.
- Proposta altera Código de Saúde e exige que médicos recusem procedimento se paciente se recusar a ouvir batimentos.
- Medida é defendida como forma de ampliar consentimento informado, mas recebe críticas de defensoras dos direitos das mulheres.
- Projeto foi apresentado por seis deputados e recebeu apoio de parlamentares ligados a partidos de extrema direita.
- Medidas semelhantes existem em países como Hungria, Estados Unidos e Brasil, mas não avançaram em todos os casos.
Deputados de partidos de extrema direita no Chile apresentaram um projeto de lei que obriga médicos a oferecer às mulheres que buscam um aborto legal a possibilidade de ouvir os batimentos cardíacos do feto antes do procedimento. A proposta, chamada "Escute o seu Coração", altera o Código de Saúde e está em fase inicial de tramitação. Atualmente, o aborto no Chile é permitido apenas em três situações: quando há risco de vida para a gestante, em casos de gravidez resultante de estupro e quando o feto apresenta condição incompatível com a vida. Pelo texto, o médico deverá apresentar à paciente a atividade cardíaca do feto. Caso a mulher se recuse a ouvir os batimentos, o profissional também deverá se recusar a realizar o procedimento, conforme prevê a proposta. Os autores afirmam que a medida busca ampliar o processo de consentimento informado, argumentando que a atividade cardíaca representa um dado clínico relevante para a tomada de decisão da paciente. O projeto foi apresentado por seis deputados, sendo cinco ligados aos partidos Nacional Libertário e Republicano, e um da Renovação Nacional. O deputado Cristóbal Urruticoechea, autor da proposta, argumenta que a iniciativa pretende garantir que a mulher tenha acesso a todas as informações disponíveis antes de decidir pela interrupção da gravidez. A proposta recebeu críticas de organizações de defesa dos direitos das mulheres e da ex-ministra da Mulher Antonia Orellana, que classificou a iniciativa como uma forma de constrangimento às pacientes. Segundo Orellana, a medida pode afetar mulheres que enfrentam situações como risco à própria vida ou gravidez com diagnóstico de inviabilidade fetal. A diretora da ONG Miles Chile, Javiera Canales, afirmou que a proposta representa uma forma de pressão sobre mulheres que recorrem ao aborto dentro das hipóteses previstas pela legislação chilena, contrariando princípios de autonomia e consentimento informado. Medidas semelhantes existem em alguns países e estados. A Hungria adotou regra parecida em 2022. Nos Estados Unidos, exigências relacionadas à apresentação da atividade cardíaca fetal estão previstas em alguns estados, como Texas, Kentucky, Arizona, Geórgia e Mississippi. No Brasil, uma proposta semelhante foi apresentada em 2023 pelo então vereador Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, mas não avançou.Projeto prevê recusa médica em caso de negativa da paciente
Parlamentares defendem medida
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