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Chefe militar dos EUA alerta para riscos de guerra contra o Irã; Trump nega

Segundo jornais americanos, general Daniel Caine citou risco de baixas, conflito prolongado e baixo estoque de munições; presidente afirma que decisão sobre ataque será exclusivamente dele

General John Daniel Caine ao lado do presidente Donald Trump, em janeiro de 2026 | Foto: Reprodução/Getty Images via BBC
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O chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, general Daniel Caine, teria alertado o presidente Donald Trump sobre o risco de baixas americanas e de um conflito prolongado em caso de ataque ao Irã, segundo reportagens da imprensa norte-americana. Trump negou as informações e afirmou que qualquer decisão sobre uma ofensiva caberá exclusivamente a ele.

De acordo com o The Washington Post, Caine manifestou preocupação durante reunião realizada na Casa Branca na semana passada. Fontes ouvidas pelo jornal indicaram que os Estados Unidos enfrentariam dificuldades logísticas, especialmente em razão do baixo estoque de munições.

Segundo a publicação, o arsenal norte-americano estaria pressionado pelo apoio militar oferecido a aliados em conflitos envolvendo Israel e Ucrânia. O general também teria destacado a complexidade de uma eventual campanha no Oriente Médio, com risco de mortes de soldados americanos e possibilidade de escalada regional.

O jornal acrescenta que Caine mencionou a ausência de apoio consistente de aliados estratégicos na região. Em janeiro, o The Wall Street Journal informou que países como Arábia Saudita, Catar e Omã teriam se posicionado contra um eventual ataque ao Irã.

Já o site Axios afirmou que o general alertou também para a possibilidade de um conflito prolongado. Segundo autoridades ouvidas pela publicação, Trump estaria inclinado a autorizar um bombardeio.

Trump nega e diz que decisão é presidencial

Em publicação na rede social Truth Social, Trump classificou como “100% incorretas” as reportagens sobre as supostas preocupações de Caine. O presidente afirmou que o general e membros do governo preferem evitar uma guerra, mas garantiu que, se houver ordem para agir, o conflito seria “facilmente vencido”.

“Caine é um grande combatente e representa as Forças Armadas mais poderosas do mundo. Ele só conhece uma coisa: vencer”, escreveu.

Trump também reforçou que a decisão final sobre qualquer ataque será sua. “Prefiro um acordo a não ter um, mas, se não houver acordo, será um dia muito ruim para aquele país”, declarou, referindo-se ao Irã.

Escalada de tensões

Estados Unidos e Irã atravessam um período de tensão crescente em meio a negociações para limitar o programa nuclear iraniano. Washington exige que Teerã reduza ou encerre o enriquecimento de urânio, além de impor restrições ao programa de mísseis balísticos e ao apoio a grupos armados no Oriente Médio.

O governo iraniano afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos e defende que as negociações se restrinjam ao tema nuclear. Teerã sinalizou disposição para reduzir o nível de enriquecimento de urânio, desde que haja alívio nas sanções econômicas.

Duas rodadas de negociações ocorreram nas últimas semanas, uma em Omã, no início do mês, e outra em Genebra, na terça-feira (17). Segundo autoridades americanas, houve avanços limitados. Uma nova reunião entre as delegações está prevista para quinta-feira (26).

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