- Equipes de resgate do Nepal intensificam buscas por mais de 900 trabalhadores presos em túneis de usinas hidrelétricas atingidos por avalanche.
- Operações contam com apoio da China e Índia, focadas em distritos de Rasuwa e Nuwakot, onde estão as áreas mais afetadas pelo desastre.
- Resgate enfrenta dificuldades devido ao volume de lama, rochas e condições climáticas adversas, que dificultam a abertura dos túneis.
- Desastre ocorreu na última quarta-feira, com avalanche de gelo e rochas que deixou 903 mortos e 4.247 desaparecidos no Nepal.
- Risco de novos deslizamentos e inundações ameaça operações de resgate, com lago formado na fronteira entre Nepal e China começando a transbordar.
Equipes de resgate do Nepal intensificaram nesta segunda-feira (31) as buscas por mais de 900 trabalhadores que podem estar presos em túneis de usinas hidrelétricas atingidas pela avalanche que devastou a região próxima à fronteira com o Tibete, na China.
A entrada dos túneis está bloqueada por grandes quantidades de lama e rochas. As operações contam com apoio de especialistas da China e da Índia e se concentram principalmente nos distritos de Rasuwa e Nuwakot, duas das áreas mais afetadas pelo desastre.
Segundo as autoridades nepalesas, 933 trabalhadores estariam presos em 11 empreendimentos hidrelétricos. Parte deles estaria dentro de túneis no complexo da usina Trishuli-3A.
Imagens divulgadas pelas equipes mostram escavadeiras trabalhando durante a noite para retirar lama e pedras. Soldados também utilizam lanternas e outros equipamentos para tentar encontrar pontos de acesso às estruturas subterrâneas.
RESGATE ENFRENTA DIFICULDADES
O Exército do Nepal informou que as equipes utilizam escavadeiras e explosões controladas para abrir passagem pelos túneis. Também são empregados equipamentos para retirar água e lama acumuladas nos locais.
Até o momento, três corpos foram encontrados depois que os socorristas conseguiram entrar em dois túneis.
O porta-voz do Exército nepalês, Raja Ram Basnet, afirmou que o grande volume de detritos dificulta a abertura das estruturas.
Além da quantidade de lama e rochas, as condições climáticas e o terreno instável também prejudicam o avanço das equipes.
MAIS DE 900 MORTOS
O desastre ocorreu na última quarta-feira, quando uma avalanche de gelo, rochas, lama e outros detritos atingiu áreas próximas à fronteira entre o Nepal e o Tibete. A ocorrência teria sido provocada pelo colapso de uma geleira.
No Nepal, o balanço atualizado aponta 903 mortos e 4.247 desaparecidos. Entre os desaparecidos estão os trabalhadores das usinas hidrelétricas.
No lado chinês, as autoridades registram 16 mortes e 546 desaparecidos no condado de Gyirong.
A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas tenham sido afetadas pelo desastre.
Centenas de corpos, incluindo vítimas que ainda não foram identificadas, precisaram ser enterrados em covas rasas diante da dificuldade de armazenamento e do risco de decomposição.
RISCO DE NOVOS DESLIZAMENTOS
As operações também enfrentam o risco de novos deslizamentos e inundações. Um lago formado na região de fronteira entre Nepal e China começou a transbordar em direção aos rios nepaleses, levando à interrupção temporária das buscas em alguns momentos.
Imagens feitas por drones mostraram depósitos de terra e detritos nas margens do rio. Segundo autoridades chinesas, geleiras próximas à área onde ocorreu o colapso continuam instáveis e podem provocar novos desabamentos.
O primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, classificou a situação como um desastre natural de grandes proporções e afirmou que ainda é difícil calcular toda a extensão dos danos.
Quase 21 mil agentes de segurança, além de trabalhadores civis e voluntários, participam das operações de emergência no país.
A China também mobilizou equipes para auxiliar nos trabalhos. Segundo informações divulgadas pelas autoridades chinesas, mais de 2,1 mil socorristas foram enviados para a região, além de equipamentos e suprimentos transportados por via aérea.