Uma série de ataques coordenados no México deixou ao menos 73 mortos após a morte do narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG). Entre as vítimas estão 25 integrantes da Guarda Nacional, segundo informações divulgadas pelo governo mexicano.
Os agentes foram mortos em seis ataques distintos no estado de Jalisco, reduto histórico da organização criminosa. Além dos membros da corporação, também morreram um agente penitenciário, um integrante do Ministério Público estadual e uma mulher cuja identidade não foi revelada.
De acordo com autoridades, 34 suspeitos de envolvimento com organizações criminosas foram mortos, 30 em Jalisco e quatro no estado de Michoacán. Ao todo, o número de mortos chega a 73, conforme balanço divulgado por agências internacionais e veículos da imprensa mexicana.
Operação militar e reação do cartel
El Mencho foi morto no domingo (22), durante uma operação militar. Considerado um dos criminosos mais procurados do país, ele comandava o CJNG, grupo envolvido no tráfico de cocaína, metanfetamina e fentanil para os Estados Unidos.
Em coletiva nesta segunda-feira (23), o secretário de Segurança do México, Omar García Harfuch, afirmou que os ataques foram organizados por partidários do cartel como retaliação à morte do líder. Segundo ele, 70 pessoas foram presas em sete estados durante as ações violentas.
“Estamos monitorando de perto qualquer tipo de reação ou reestruturação dentro do cartel que possa levar à violência”, declarou o secretário.
O secretário de Defesa, Ricardo Trevilla, informou que o paradeiro de El Mencho foi identificado após o monitoramento de uma visita de sua namorada, o que permitiu o planejamento da operação militar.
Contexto de segurança
Criada em 2019 para substituir a Polícia Federal, a Guarda Nacional foi concebida como uma força de segurança de caráter civil para enfrentar o avanço do crime organizado no país. Nos anos seguintes, porém, a corporação passou ao comando militar, sob a Secretaria da Defesa, em meio a críticas de organizações de direitos humanos.
A morte de El Mencho ocorre em um momento de intensificação das ações do governo mexicano contra cartéis de drogas, mas também reacende o alerta para possíveis disputas internas e novos episódios de violência nas regiões onde o CJNG mantém influência.