- Hamas dissolve governo da Faixa de Gaza e propõe transferência para comitê técnico palestino.
- Plano prevê criação de comitê nacional para administração civil, ainda sem assumir funções.
- Israel rejeita anúncio e classifica decisão como "encenação" por não envolver desarmamento.
- Situação humanitária em Gaza permanece crítica com deslocados e ataques esporádicos.
- Reconstrução do território enfrenta atrasos e divergências entre Israel e Hamas.
O Hamas informou nesta segunda-feira (6) que decidiu dissolver o governo que administrava a Faixa de Gaza e afirmou estar disposto a transferir a gestão do território para um comitê formado por técnicos palestinos. A medida integra uma proposta de reorganização da administração civil do enclave após o cessar-fogo firmado com Israel.
Segundo o grupo palestino, a estrutura responsável pelos ministérios será encerrada, mas os órgãos públicos e os servidores continuarão funcionando para garantir a prestação dos serviços essenciais à população. O Hamas também declarou que seguirá responsável pela segurança nas áreas que ainda permanecem sob seu controle.
A proposta prevê que a administração passe para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), formado por especialistas palestinos e criado como parte de um plano internacional para a reconstrução do território devastado pela guerra. O órgão, entretanto, ainda não assumiu suas funções efetivamente.
Israel rejeita anúncio
O governo israelense reagiu com ceticismo ao comunicado do Hamas. O ministro das Relações Exteriores de Israel classificou a decisão como uma "encenação" e afirmou que a mudança não terá efeito prático enquanto o grupo mantiver seu braço armado e não concordar com o desarmamento.
O plano de paz apoiado pelos Estados Unidos prevê, além da criação de uma administração civil independente, a retirada gradual das tropas israelenses e a reconstrução de Gaza. No entanto, as negociações seguem travadas devido ao impasse sobre o desarmamento do Hamas e outras condições exigidas pelas partes.
Situação em Gaza continua crítica
Apesar do anúncio, a situação humanitária na Faixa de Gaza permanece grave. Grande parte da população continua deslocada, enquanto ataques esporádicos ainda são registrados mesmo após o cessar-fogo. A reconstrução do território também enfrenta dificuldades devido aos atrasos na implementação do acordo e às divergências entre Israel e Hamas.