- Vladimir Putin afirma estar aberto a um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia.
- Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, propôs um cessar-fogo e retomada das negociações de paz em carta pública.
- Rússia exige retirada de tropas ucranianas da região de Donbass como condição para o acordo.
- Donald Trump defende encontro entre Putin e Zelensky, afirmando que ambos precisarão fazer concessões.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira (4) que está aberto a um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia, após o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, divulgar uma carta pública propondo um cessar-fogo e a retomada das negociações de paz.
A manifestação de Putin ocorre em meio a uma nova tentativa de diálogo entre os dois países, mais de quatro anos após o início da invasão russa em larga escala.
Segundo o líder russo, Moscou continua disposta a negociar nos termos discutidos durante sua recente reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada em Anchorage, no Alasca. Putin afirmou que a Ucrânia precisa aceitar determinadas condições para que um acordo seja concretizado.
Condições para a paz
Durante a declaração, Putin reiterou que uma das principais exigências da Rússia é a retirada das tropas ucranianas da região de Donbass, área estratégica no leste da Ucrânia que permanece no centro do conflito.
O presidente russo afirmou que Moscou está disposta a fazer concessões durante as negociações, mas destacou que espera gestos semelhantes por parte de Kiev.
"A Ucrânia sabe muito bem quais são as nossas condições", declarou Putin ao defender uma solução negociada para o conflito.
Segundo ele, caso as condições sejam aceitas, o fim da guerra poderia ocorrer rapidamente.
Trump defende encontro entre líderes
Também nesta quinta-feira, Trump avaliou positivamente a possibilidade de uma reunião presencial entre Putin e Zelensky.
Falando a jornalistas na Casa Branca, o presidente norte-americano afirmou que ambos os lados precisarão fazer concessões para que um acordo seja alcançado.
"Seria ótimo se eles se encontrassem. Acho que isso deveria acontecer", disse Trump.
O que propõe a carta de Zelensky
Na carta aberta divulgada nesta semana, Zelensky propôs um encontro direto com Putin em um país neutro, sugerindo locais como a Suíça ou alguma nação árabe.
O presidente ucraniano também defendeu a implementação de um cessar-fogo e uma ampla troca de prisioneiros, com prioridade para civis e crianças que, segundo Kiev, foram levadas para a Rússia durante a guerra.
O documento marca a primeira mensagem pública e direta enviada por Zelensky a Putin desde o início da invasão russa, em 2022.
Críticas ao presidente russo
Além de apresentar propostas para encerrar o conflito, Zelensky fez duras críticas ao longo período de permanência de Putin no poder.
Na carta, o líder ucraniano argumenta que o desgaste provocado pela guerra pode gerar mudanças internas na Rússia e pressionar o governo russo.
"Você pode acabar lutando não pela existência da Rússia, mas pela sua própria existência", escreveu.
Cenário favorece negociações, dizem analistas
Especialistas internacionais avaliam que o atual momento pode favorecer uma retomada das negociações de paz.
Analistas apontam que tanto Rússia quanto Ucrânia enfrentam dificuldades crescentes para sustentar o conflito no longo prazo.
No caso russo, a economia vem sofrendo com os custos elevados da guerra, enquanto setores produtivos enfrentam escassez de mão de obra. Já a Ucrânia segue dependente do apoio financeiro e militar de aliados ocidentais para manter suas operações de defesa.
Diante desse cenário, observadores internacionais consideram que a disposição demonstrada pelos dois líderes pode abrir espaço para uma nova rodada de negociações diplomáticas.