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Apagão de internet no Irã chega a 48 horas durante onda de protestos

Dados da NetBlocks indicam queda de 99% no tráfego desde quinta-feira (8), enquanto manifestações contra o regime se espalham pelo país

Manifestantes protestam contra regime do Irã em Teerã — 09/01/2026 | Foto: Reprodução/ Redes Sociais via Reuters
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O Irã permanece sem acesso à internet há 48 horas neste sábado (10), segundo a organização de monitoramento de conectividade NetBlocks. Dados de telemetria indicam que o tráfego caiu para cerca de 1% do volume normal desde a última quinta-feira (8), em meio à escalada de protestos antigovernamentais no país.

“O Irã está offline há 48 horas, e a telemetria mostra que o bloqueio nacional da internet continua em vigor”, informou a NetBlocks em publicação na rede social X. Um morador de Teerã confirmou à imprensa que o serviço de telefonia celular também segue indisponível na capital.

De acordo com a organização, o apagão digital ocorreu à medida que manifestações se espalharam por diversas regiões do país. Na sexta-feira (9), o diretor da NetBlocks, Alp Toker, afirmou que parte da população conseguiu se comunicar com o exterior por meio de terminais Starlink contrabandeados ou utilizando sinais de operadoras de países vizinhos.

“Apagões nacionais costumam ser a estratégia preferida do regime quando há risco do uso de força letal contra manifestantes”, declarou Toker. Segundo ele, a medida visa impedir a circulação de informações e reduzir a atenção internacional sobre os acontecimentos no país.

Apesar disso, um morador de Teerã, de 47 anos, sob condição de anonimato, afirmou que o bloqueio teve efeito contrário. “O corte da internet parece ter saído pela culatra, já que o tédio e a frustração levaram ainda mais pessoas às ruas”, disse.

Manifestantes marcharam no centro de Teerã, Irã, contra a situação econômica do país, na ultima quinta-feira (Foto: Reprodução)

Protestos duram duas semanas

As manifestações contra o governo iraniano já se estendem por cerca de duas semanas. Segundo a agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos, ao menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas em todo o país desde o início dos protestos.

Neste sábado, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que a segurança nacional é uma “linha vermelha” e declarou que as forças militares irão proteger a propriedade pública. As declarações ocorrem em meio ao endurecimento das ações do regime para conter o que já é considerado um dos maiores ciclos de protestos dos últimos anos.

O contexto também envolve pressão internacional. Na sexta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu um novo alerta às lideranças iranianas. Já neste sábado, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que “os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irã”.

Os protestos continuaram durante a noite. A mídia estatal iraniana informou que um prédio municipal foi incendiado em Karaj, a oeste de Teerã, atribuindo o ato a “manifestantes violentos”. A televisão estatal também exibiu imagens dos funerais de integrantes das forças de segurança que, segundo o governo, morreram em confrontos nas cidades de Shiraz, Qom e Hamedan.

Inicialmente motivadas pela inflação e pela crise econômica, as manifestações ganharam rapidamente um caráter político, com pedidos pelo fim do regime islâmico. As autoridades iranianas acusam os Estados Unidos e Israel de estimularem os “distúrbios”, enquanto organizações de direitos humanos relatam dezenas de mortes de manifestantes.

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