- Mais de 49 mil migrantes entraram em Ceuta em 24 horas, principalmente pelo mar, provocando uma crise migratória.
- Pelo menos 24 pessoas morreram durante a travessia, segundo a agência EFE, com corpos recuperados pelas forças de segurança.
- Ceuta, cidade autônoma espanhola no norte da África, é um dos poucos territórios da UE com fronteira terrestre com a África.
- A crise lembra a de maio de 2021, quando 5 mil pessoas cruzaram a fronteira em um único dia, gerando tensão diplomática.
- Os migrantes entram em Ceuta nadando, caminhando ou tentando superar cercas, enquanto são identificados e encaminhados para centros de acolhimento.
Uma nova onda de imigração colocou a cidade espanhola de Ceuta no centro de uma crise migratória nesta semana. Milhares de pessoas atravessaram a fronteira entre o Marrocos e o exclave espanhol, principalmente pelo mar, o que levou o governo da Espanha a enviar militares para reforçar a segurança.
Quantas pessoas chegaram?
Mais de 49 mil migrantes entraram em Ceuta nas últimas 24 horas, afirmou nesta sexta-feira (31) o Ministério do Interior da Espanha. A maioria é formada por jovens marroquinos, mas também há famílias e crianças.
O fluxo já vinha se intensificando ao longo da última semana, e os centros de acolhimento da cidade já estavam próximos do limite antes da nova onda de chegadas.
Quantas pessoas morreram?
Pelo menos 24 pessoas morreram durante a travessia, segundo a agência de notícias espanhola EFE. Os corpos foram recuperados nas águas pelas forças de segurança espanhola.
A rota entre o norte da África e a Espanha é considerada uma das mais perigosas para migrantes. Organizações humanitárias registram centenas de mortes todos os anos em tentativas de travessia pelo mar.
O caso de Ceuta não chega a configurar uma travessia pelo Mediterrâneo, uma vez que a cidade também fica no Norte da África, mas ainda assim parte dos imigrantes chegaram pelo mar, nadando ao longo da costa.
Onde é a cidade de Ceuta?
Ceuta é uma cidade autônoma da Espanha localizada no norte da África. Junto com Melilla, é um dos únicos territórios da União Europeia que fazem fronteira terrestre com a África.
A cidade fica na costa do Mar Mediterrâneo, em frente ao Estreito de Gibraltar. Apesar de pertencer à Espanha há séculos, o Marrocos reivindica a soberania sobre o território, o que gera atritos diplomáticos recorrentes.
Por fazer parte da Espanha, Ceuta também integra a União Europeia. Para muitos migrantes, entrar na cidade representa a primeira porta de acesso ao bloco europeu.
A chegada tem algum precedente?
A crise lembra a registrada em maio de 2021, quando cerca de 5 mil pessoas cruzaram a fronteira entre o Marrocos e Ceuta em apenas um dia.
Na época, o episódio foi associado a uma crise diplomática entre Espanha e Marrocos após Madri receber, para tratamento médico, o líder da Frente Polisário, movimento que defende a independência do Saara Ocidental.
De onde os marroquinos vieram?
Segundo as autoridades espanholas, a maioria dos recém-chegados é formada por cidadãos marroquinos, embora também tenham sido registradas pessoas de outras nacionalidades africanas. Não se sabe a rota terrestre que os levou até a cidade, ao certo, nem as regiões de onde vieram.
O que gerou o fluxo migratório?
As autoridades ainda investigam o que provocou a nova onda migratória.
O governo espanhol afirmou que há indícios de atuação de redes criminosas de tráfico de pessoas, que teriam incentivado ou organizado parte das travessias após mudanças recentes na interpretação das regras para devolução imediata de migrantes interceptados no mar. Até o momento, não há nenhum indício de participação por parte do governo marroquino.
Como a travessia aconteceu?
Grande parte dos migrantes entrou em Ceuta nadando ao redor dos quebra-mares da praia de Tarajal, que marca a fronteira entre Espanha e Marrocos.
Outros atravessaram caminhando pelos espigões costeiros ou tentaram superar as cercas que separam os dois territórios.
O que vai acontecer com os imigrantes?
Os migrantes que chegaram a Ceuta devem ser identificados e encaminhados para centros de acolhimento enquanto as autoridades analisam cada caso.
Quem pedir proteção internacional terá o pedido avaliado pelas autoridades espanholas. Outros poderão ser devolvidos ao Marrocos, conforme acordos bilaterais e as decisões da Justiça espanhola.