- O governo federal afirmou ter recebido com surpresa a decisão da UE de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes para o bloco europeu.
- A decisão foi motivada pela falta de garantias relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária brasileira, segundo as autoridades do bloco.
- O Brasil poderá deixar de exportar produtos como carne bovina e aves para os países europeus a partir de setembro.
- A reunião entre representantes brasileiros e autoridades sanitárias da UE está prevista para quarta-feira (13) para discutir o tema.
O governo federal afirmou ter recebido com “surpresa” a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal para o bloco europeu. Em nota conjunta divulgada nesta terça-feira (12), os ministérios da Agricultura, do Comércio Exterior e das Relações Exteriores informaram que vão atuar para tentar reverter a medida.
Segundo o comunicado, o Brasil pretende adotar “todas as medidas necessárias” para voltar à lista de exportadores autorizados e manter o fluxo comercial com o mercado europeu, para o qual o país exporta há cerca de 40 anos.
Motivação
A decisão da União Europeia foi motivada, de acordo com autoridades do bloco, pela falta de garantias relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária brasileira. Esses medicamentos são utilizados no tratamento e prevenção de infecções em animais e, em alguns casos, também atuam como promotores de crescimento.
Com a exclusão da lista, o Brasil poderá deixar de exportar produtos como carne bovina, aves, ovos, mel, peixes e outros itens de origem animal para os países europeus a partir de setembro.
Enquanto isso, países do Mercosul como Argentina, Paraguai e Uruguai seguem autorizados a vender esses produtos ao mercado europeu.
O governo brasileiro defendeu o sistema sanitário nacional e afirmou que o país possui controles reconhecidos internacionalmente. Uma reunião entre representantes brasileiros e autoridades sanitárias da União Europeia está prevista para quarta-feira (13), com o objetivo de discutir o tema.
A medida também gerou reação no setor agropecuário. Entidades ligadas à exportação de carnes, proteína animal e mel afirmaram que o Brasil cumpre protocolos sanitários rigorosos e disseram esperar uma solução técnica para evitar impactos nas exportações.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) classificou a decisão como preocupante, principalmente após a entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.