- Gêmeas siamesas de 2 anos morreram após cirurgia de separação de crânios na noite do último sábado.
- Meninas foram tratadas no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
- Cirurgia envolveu mais de 50 profissionais e foi a quinta etapa do processo de separação.
- Corpos foram levados para São José dos Campos, onde ocorreu o sepultamento no domingo.
- Caso de craniópagas é extremamente raro, com incidência de um a cada 2,5 milhões de nascimentos.
As gêmeas siamesas Heloísa e Helena, de 2 anos, morreram na noite do último sábado (15) após serem submetidas à cirurgia final para separação dos crânios. As meninas nasceram unidas pela cabeça e estavam em tratamento no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFMRP-USP), no interior de São Paulo.
Segundo o hospital, as crianças não resistiram após cerca de 15 horas de procedimento. A cirurgia envolveu mais de 50 profissionais e representava a quinta e última etapa do processo de separação, planejado pela equipe médica ao longo de meses.
Após a morte, os corpos de Heloísa e Helena foram encaminhados para São José dos Campos, cidade onde a família mora. O sepultamento ocorreu no domingo (16). A Prefeitura de São José dos Campos custeou as despesas do funeral.
Heloísa e Helena nasceram em 2024 unidas pela cabeça, condição conhecida como craniópagas. O caso é considerado extremamente raro e ocorre em aproximadamente um a cada 2,5 milhões de nascimentos.
Para realizar a separação, os médicos do HC de Ribeirão Preto planejaram cinco cirurgias, realizadas com intervalos de dois a três meses. O objetivo era separar gradualmente os vasos sanguíneos compartilhados pelas meninas sem provocar danos aos cérebros.
Em cada procedimento, os médicos abriam uma parte do crânio para acessar e separar os vasos. Depois, a região era fechada novamente e a equipe aguardava o período necessário para a recuperação dos tecidos e do cérebro antes de iniciar a próxima etapa.
O processo avançava gradualmente ao redor do crânio até que todos os vasos compartilhados fossem separados e os cérebros pudessem ficar anatomicamente independentes.
Última cirurgia ocorreu após meses de preparação
A preparação para a etapa final incluiu uma cirurgia realizada em março deste ano, quando as meninas receberam bolsas expansoras de pele. O procedimento, conduzido pela equipe de Cirurgia Plástica, durou cerca de seis horas.
O caso era acompanhado principalmente pelas equipes de Neurocirurgia Pediátrica e Cirurgia Plástica do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. O tratamento das meninas foi realizado integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sem custos para a família. O hospital é referência no tratamento de pacientes craniópagos e já havia realizado a separação de outros dois casos.
Procedimento de alta complexidade
A separação de gêmeos unidos pelo crânio é considerada uma das cirurgias mais complexas da medicina. O procedimento exige planejamento durante meses e a participação de profissionais de diferentes especialidades.