Ver Resumo
- Família da vereadora Luciana Novaes irá doar os órgãos após confirmação de morte cerebral.
- Programa Estadual de Transplantes foi acionado e o corpo permanece sob ventilação mecânica para preservação dos órgãos.
- A captação dos órgãos deve iniciar por volta das 20h desta quarta-feira (29) e pode se estender por até 12 horas.
- Luciana Novaes, vereadora tetraplégica, morreu aos 42 anos após sofrer um aneurisma cerebral.
A família da vereadora Luciana Novaes informou que irá tentar viabilizar a doação dos órgãos da parlamentar, após a confirmação de morte cerebral nesta semana. Segundo os familiares, o procedimento atende a um desejo manifestado por ela ainda em vida.
O Programa Estadual de Transplantes já foi acionado, e o corpo permanece sob ventilação mecânica para preservação dos órgãos. A previsão é que a captação tenha início por volta das 20h desta quarta-feira (29) e possa se estender por até 12 horas.
Em nota, a família destacou o gesto como um reflexo da trajetória da vereadora. “Até em sua despedida escolheu semear vida: seus órgãos serão doados”, diz o comunicado.
Internação e morte cerebral
Luciana estava internada após sofrer uma intercorrência grave, compatível com rompimento de aneurisma cerebral, que provocou uma piora significativa no quadro neurológico. Na segunda-feira (27), ela passou a integrar o protocolo para confirmação de morte encefálica, posteriormente atestada pela equipe médica.
Trajetória marcada pela superação
Assistente social, Luciana Novaes tinha 42 anos e construiu uma trajetória política voltada à inclusão. Ela ficou tetraplégica em 2003, após ser atingida por uma bala perdida dentro do campus da Universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido.
Mesmo após o episódio, concluiu a graduação em Serviço Social e se especializou em Gestão Governamental. Foi eleita vereadora pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 2016, tornando-se a primeira pessoa tetraplégica a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Ao longo da carreira, também retornou ao cargo como suplente.
Sua atuação política foi marcada pela defesa dos direitos das pessoas com deficiência, idosos e populações em situação de vulnerabilidade. Entre suas iniciativas, está a Lei 8.781/2025, que institui a política de rotas acessíveis na capital fluminense.
Velório e homenagens
O velório está marcado para a próxima segunda-feira (4), às 10h, no Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, na região da Cinelândia.
O prefeito Eduardo Cavaliere decretou luto oficial de três dias. Já o presidente da Câmara, Carlo Caiado, destacou o legado da parlamentar, ressaltando sua trajetória de superação e compromisso com causas sociais.
Em nota, a Casa Legislativa afirmou que Luciana deixa uma contribuição significativa, com quase 200 leis voltadas à inclusão e à defesa de direitos, além de uma atuação marcada pela escuta e pelo compromisso com a população.