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Exame nacional: Inep divulga Cartilha de Redação do Enem 2026; veja regras

Os candidatos deverão produzir um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, a partir da situação-problema apresentada na prova

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  • Estudantes do Enem 2026 podem consultar cartilha com orientações sobre redação e exemplos de textos que receberam nota máxima no Enem 2025.
  • O Inep reforça alerta contra uso de "repertórios de bolso", que são referências genéricas e pouco conectadas ao tema da redação.
  • A cartilha explica que repertórios inadequados podem prejudicar a nota da Competência II, que avalia conhecimentos socioculturais.
  • Exemplo de "repertório de bolso" inclui citação de Aristóteles em texto sobre envelhecimento, sem relação direta com o tema.
  • Redação do Enem é avaliada por cinco competências, com nota final calculada pela média das avaliações dos corretores.
Sede do Inep | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Os estudantes que farão o Enem 2026 já podem consultar a nova edição da cartilha “A Redação do Enem 2026 – Cartilha do Participante”, publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O documento está disponível no portal do Inep e reúne orientações sobre a prova de redação, além de exemplos comentados de textos que receberam nota máxima no Enem 2025.

Pelo segundo ano consecutivo, a cartilha reforça a orientação contra o uso dos chamados “repertórios de bolso”, conceito definido pelo Inep como referências prontas e memorizadas, utilizadas de forma genérica, pouco aprofundada e sem conexão efetiva com o tema proposto.

O que são os “repertórios de bolso”

Segundo o Inep, trata-se de um repertório que fica “guardado no bolso” para ser utilizado em diferentes temas, mesmo quando a referência não é adequada ou pertinente ao assunto. A Competência II da redação avalia, entre outros aspectos, a capacidade do candidato de utilizar conhecimentos socioculturais relacionados ao tema.

De acordo com a cartilha, o repertório utilizado pelo estudante deve:

  • ser pertinente ao assunto tratado;
  • ser bem contextualizado e articulado aos argumentos;
  • demonstrar a capacidade de relacionar o conhecimento ao problema discutido.

O Inep afirma que, quando uma referência é inserida de maneira decorada, automática ou forçada, ela pode ser considerada não produtiva e prejudicar a nota da Competência II.

Exemplo usado pelo Inep

A cartilha do Enem 2026 apresenta como exemplo de repertório de bolso um trecho de uma redação sobre o tema do Enem 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. No texto, o participante escreveu: “Além disso, Aristóteles afirmou que o homem é um animal político”, relacionando posteriormente a frase à necessidade de discutir o envelhecimento no Brasil.

Segundo o Inep, a referência a Aristóteles é ampla, mas tem baixa pertinência com o tema porque a ideia de que o ser humano vive em comunidade não foi desenvolvida para explicar aspectos específicos da condição das pessoas idosas no país.

A avaliação também aponta que o texto passa da citação diretamente para a afirmação de que o envelhecimento precisa ser discutido, sem estabelecer uma relação lógica de causa, consequência ou exemplificação. Por isso, segundo a cartilha, o repertório assume uma função “meramente ornamental e introdutória”, sem contribuir efetivamente para a argumentação.

Mudanças na correção em 2025

A cartilha informa que o repertório sociocultural está relacionado à Competência II, uma das cinco competências avaliadas na redação. Cada competência vale até 200 pontos, totalizando mil pontos. Segundo professores ouvidos pela reportagem, durante o Enem 2025 um documento complementar enviado aos corretores após os treinamentos presenciais orientou que a avaliação da Competência II deveria dialogar também com a Competência III.

Com isso, repertórios considerados inadequados pela banca poderiam ter impacto em duas competências, e não apenas em uma. Os professores apontaram essa mudança como uma possível explicação para a queda nas notas de parte dos candidatos. Na época, o Inep negou que tivesse alterado os critérios de correção.

Como funciona a redação do Enem

Os candidatos deverão produzir um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, a partir da situação-problema apresentada na prova. A produção deverá considerar os conhecimentos adquiridos durante a formação do estudante e as informações presentes nos textos motivadores.

A correção será feita por pelo menos dois avaliadores independentes. Cada corretor atribui de zero a 200 pontos para cada uma das cinco competências. A nota final corresponde à média aritmética das avaliações.

Situações que podem zerar a redação

Segundo a cartilha, podem levar à nota zero situações como:

  • fuga total ao tema;
  • redação com até sete linhas;
  • inserção de trechos desconectados do assunto;
  • não seguir a estrutura dissertativo-argumentativa;
  • desrespeitar a seriedade do exame.

O que será avaliado

Os avaliadores verificarão, entre outros aspectos, se o estudante:

  • domina a modalidade escrita formal da língua portuguesa;
  • organiza informações, fatos e argumentos de forma consistente;
  • utiliza mecanismos linguísticos adequados à argumentação;
  • apresenta uma proposta de intervenção para o problema discutido.
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