Nos supermercados ainda não se sabe se a queda vai chegar. Mas, no estado de São Paulo, por exemplo, o preço no atacado já caiu porque uma parte pequena do que seria embarcada para a China foi despachada para o mercado interno, conta o analista da Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, que acompanha o setor. Ele ressalta, entretanto, que a maioria da carne bovina ainda está parada em câmaras frias e contêineres nos portos, sem previsão de destino.
"Parte da carne já entrou no nosso mercado e isso se refletiu no atacado. Antes de agosto, o quilo do corte do bovino estava em torno de R$ 17 e recuou para R$ 14 nesta semana", afirma Iglesias.
No varejo da cidade de São Paulo, entretanto, o preço da carne continua em alta. O produto subiu 0,62% na segunda semana de outubro, após ter avançado 0,42% na semana imediatamente anterior, mostram dados da Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
O analista Guilherme Moreira, coordenador do IPC, diz que, após a suspensão da China, no dia 4 de setembro, a proteína bovina começou a ter leves recuos, que já foram revertidos neste mês. "Então, se houve impacto, foi bem pouco. Na verdade, pode ter evitado novas altas", diz.
"Essa queda pode chegar ao consumidor, mas não na mesma proporção do atacado. Movimentos de alta de preço são repassados de forma mais agressiva pelo varejo. Mas, quando são de baixa, não é assim...esses repasses acabam sendo mais discretos. É um perfil do negócio", ressalta Iglesias, do Safras.