- El Niño pode aumentar risco de dengue em algumas regiões do Brasil em 2027, segundo projeções da Fiocruz.
- Estudo reúne 22 modelos de 130 pesquisadores, apontando até 1,6 milhão de casos de dengue em 2027.
- Regiões Sul e Nordeste podem ter aumento de casos, enquanto outras mantêm cenário próximo ao anterior.
- Fiocruz também apresenta primeira projeção nacional para chikungunya, com mais de 90 mil casos previstos.
O possível super El Niño previsto para o verão pode aumentar o risco de dengue em algumas regiões do Brasil em 2027. A avaliação consta em novas projeções apresentadas pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na última sexta-feira (6). Apesar do alerta, os pesquisadores destacam que ainda existem incertezas sobre a intensidade dos efeitos do fenômeno climático na próxima temporada.
A estimativa principal aponta para aproximadamente 866 mil casos prováveis de dengue no país em 2027, em um cenário semelhante ao observado em 2025 e 2026. Essa projeção, porém, não considera diretamente os possíveis impactos do El Niño.
El Niño pode aumentar casos de dengue em algumas regiões
Os pesquisadores também analisaram modelos que incluem variáveis climáticas para avaliar os possíveis efeitos do fenômeno. Os resultados, entretanto, apresentaram diferenças: enquanto alguns indicam aumento dos casos em determinadas regiões, outros apontam impactos menores.
Na região Sul, os modelos que consideram o El Niño apresentam resultados mais consistentes de uma temporada de dengue com números superiores aos indicados pela projeção principal. Nas demais regiões, as estimativas ainda são incertas.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, provocando alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do Brasil.
As condições de calor e umidade podem favorecer a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. No entanto, a quantidade de casos também depende de fatores como as condições climáticas locais, a população suscetível e as ações de prevenção e controle.
Por isso, os pesquisadores ressaltam que o fenômeno deve ser considerado um sinal de alerta para o planejamento das ações de saúde, e não uma referência isolada para calcular o número de casos.
Projeção aponta até 1,6 milhão de casos de dengue
O levantamento reúne 22 modelos desenvolvidos por mais de 130 pesquisadores de oito países. Em vez de utilizar apenas uma estimativa, os cientistas combinam os resultados para produzir uma projeção considerada mais robusta. Para 2027, a combinação dos modelos aponta para aproximadamente 860 mil casos prováveis, mas com uma margem de incerteza significativa. Existe 80% de probabilidade de o total ficar entre 560 mil e 1,6 milhão de casos.
O pico da doença é esperado para abril, com aproximadamente 40 mil casos em uma única semana. Embora a previsão não indique uma epidemia semelhante à registrada em 2024, os pesquisadores alertam que o cenário ainda exige atenção. “A dengue continuará exigindo atenção. É o momento de organizar a rede e intensificar a prevenção”, afirmou Claudia Codeço, pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, em comunicado.
Seis estados podem registrar aumento de casos
Os modelos também indicam tendência de crescimento das ocorrências em relação à temporada anterior em seis estados:
Paraná;
Rio de Janeiro;
Mato Grosso do Sul;
Sergipe;
Acre;
Minas Gerais.
Nos demais estados, a projeção aponta para um cenário próximo ou inferior ao registrado na temporada anterior. Mesmo com as diferenças regionais, os pesquisadores recomendam manter a vigilância em todo o país, especialmente diante da possibilidade de mudanças nas condições climáticas provocadas pelo El Niño.
Fiocruz apresenta primeira projeção nacional para chikungunya
O estudo também apresentou, pela primeira vez, uma projeção nacional para a chikungunya, doença transmitida pelo mesmo mosquito responsável pela dengue. A estimativa aponta para mais de 90 mil casos prováveis em 2027.
A tendência de aumento foi identificada principalmente nas regiões Nordeste e Sul, além dos estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.