- IPCA registra deflação de 0,32% em agosto, maior queda mensal desde agosto de 2022.
- Inflação acumulada em 12 meses permanece dentro da meta estabelecida pelo Banco Central.
- Grupo Habitação lidera queda do IPCA, com recuo de 1,87%, impulsionado pela energia elétrica.
- Reajustes tarifários e bônus de Itaipu influenciaram as variações dos grupos de energia e habitação.
- Gás encanado e água tiveram alta em agosto, com reajustes em várias cidades.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou deflação de 0,32% em agosto. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Essa foi a maior queda mensal do índice desde agosto de 2022, quando o IPCA recuou 0,36%. O resultado também representa uma desaceleração em relação aos meses anteriores. Em julho, o índice havia subido 0,07%, enquanto em junho a alta foi de 0,16%.
Mesmo com a queda em agosto, o IPCA acumula alta de 3,11% no ano e de 4,22% em 12 meses, abaixo dos 4,44% registrados nos 12 meses até julho.
Inflação em 12 meses fica dentro da meta
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses permanece dentro do intervalo de tolerância da meta definida pelo Banco Central (BC). Desde 2025, o sistema de metas contínuas estabelece objetivo de inflação de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,50% e 4,50%.
A queda do IPCA foi puxada principalmente pelo grupo Habitação, que recuou 1,87% em agosto. Também registraram deflação os grupos de Alimentação e bebidas (-0,34%), Transportes (-0,86%) e Comunicação (-0,09%).
Os demais grupos tiveram as seguintes variações:
- Alimentação e bebidas: -0,34%;
- Habitação: -1,87%;
- Artigos de residência: 0,64%;
- Vestuário: 0,12%;
- Transportes: -0,86%;
- Saúde e cuidados pessoais: 0,23%;
- Despesas pessoais: 1,30%;
- Educação: 0,47%;
- Comunicação: -0,09%.
Energia elétrica puxou queda da habitação
Dentro do grupo Habitação, o principal destaque foi a energia elétrica residencial, que teve queda de 7,63% em agosto. Segundo o IBGE, o resultado refletiu a incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas no mês anterior.
Segundo José Fernando Pereira Gonçalves, do IBGE, a variação do grupo Habitação foi a menor para um mês de agosto desde o Plano Real. O bônus de Itaipu corresponde à devolução aos consumidores de recursos excedentes da operação da usina, proporcionando redução temporária nas contas de energia.
Em agosto, também estava em vigor a bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 à conta de luz a cada 100 kWh consumidos. Também houve reajustes tarifários em concessionárias de São Paulo, Vitória, São Luís, Fortaleza e Rio Branco.
Gás encanado e água tiveram alta
Ainda no grupo Habitação, o gás encanado subiu 1,74%, influenciado por reajustes de tarifas em Curitiba (10,21%) e no Rio de Janeiro (1,80%). A taxa de água e esgoto teve alta de 0,11%, em razão principalmente de um reajuste de 3,55% em Salvador.