- Preços do petróleo caiem após derrota republicana e expectativa de negociação com o Irã.
- Democratas no Congresso podem pressionar Trump a buscar solução diplomática para conflito.
- Analistas acreditam que novo cenário político pode acelerar negociações e reduzir risco de guerra.
- Estoques dos EUA caem, mas incertezas sobre conflito continuam influenciando mercado internacional.
- Países do Golfo ajustam exportações e planejam infraestrutura para evitar dependência do Estreito de Ormuz.
Os preços internacionais do petróleo registraram forte queda na quarta-feira (4), após a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos aumentar as expectativas de uma possível negociação para encerrar a guerra contra o Irã. O barril do Brent, referência internacional, caiu 8,7%, para US$ 94,62, enquanto o WTI, referência norte-americana, recuou 8,3%, para US$ 88,12. Nesta quinta-feira (5), as duas referências operavam em alta, mas permaneciam abaixo dos US$ 100 por barril, em meio à avaliação dos investidores sobre os próximos passos do governo de Donald Trump.
A reação do mercado ocorre após os democratas conquistarem o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, deixando Trump diante de um Congresso de oposição. Para investidores e analistas, a nova composição política pode aumentar a pressão sobre o presidente para buscar uma saída negociada para o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, reduzindo o risco de uma escalada militar que poderia afetar o fornecimento global de petróleo.
Guerra e eleições influenciam mercado
A mudança no controle do Congresso norte-americano é interpretada pelo mercado como um possível obstáculo à continuidade da ofensiva militar. Com os democratas no comando das duas Casas, Trump pode enfrentar dificuldades para aprovar recursos destinados às operações militares no Oriente Médio, o que aumentaria o incentivo para buscar um acordo.
Na avaliação de Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial, o novo cenário político pode favorecer uma negociação em prazo menor.
"O controle democrata do Congresso também poderia restringir os gastos militares dos EUA no Oriente Médio e aumentar a possibilidade de um acordo de paz em um prazo mais curto", afirmou à Reuters.
Trump declarou ao jornal britânico Financial Times, na terça-feira (3), que os Estados Unidos não tinham planos imediatos de atacar o Irã. Na quarta-feira (4), o presidente reconheceu que a guerra teve influência na derrota republicana nas eleições.
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, também questionou se a decisão de entrar no conflito valeu a pena e atribuiu à guerra parte da responsabilidade pelo resultado eleitoral. Já o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que a hostilidade dos Estados Unidos continuaria independentemente do partido que estivesse no poder.
Negociações ainda enfrentam incertezas
Apesar das expectativas de uma possível saída diplomática, não há acordo para encerrar a guerra. O Catar intensificou os esforços de mediação para evitar uma nova escalada, mas uma autoridade iraniana afirmou à Reuters que os dois países ainda estão longe de chegar a um entendimento.
O analista Carl Larry, da empresa Enverus, alertou que a mudança no cenário político norte-americano não elimina o risco de novos ataques.
"As eleições estão dando aos investidores que apostam na queda dos preços um motivo para duvidar da continuidade do conflito no Irã. [...] Estou mais preocupado com a possibilidade de vermos uma escalada antes de uma resolução", disse à Reuters.
A incerteza também envolve a segurança do transporte de petróleo na região. Os países do Golfo exportaram, em outubro, uma média de 17,1 milhões de barris por dia de petróleo, condensado e derivados, segundo dados de rastreamento de navios da Vortexa. O volume ficou abaixo dos 18,9 milhões registrados em setembro, mas correspondeu a cerca de três quartos do patamar anterior à guerra.
Os Emirados Árabes Unidos também avaliam construir um terceiro oleoduto para transportar petróleo sem depender do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional da commodity. A informação foi divulgada pela Bloomberg, com base em fontes próximas ao assunto.
Estoques dos EUA também entram no radar
Além das questões geopolíticas, os investidores acompanham os dados de oferta e demanda. Nos Estados Unidos, os estoques de petróleo bruto, gasolina e destilados diminuíram na semana passada, segundo a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA).
A redução dos estoques costuma ser observada pelo mercado como um indicador de oferta e consumo. Mesmo com esse movimento, as expectativas relacionadas à guerra e à possibilidade de retomada do fluxo de petróleo no Oriente Médio continuam influenciando as cotações.
Na quinta-feira (5), a recuperação dos preços refletiu justamente a permanência das incertezas sobre o conflito. Analistas ouvidos pela Reuters avaliam que, embora o resultado das eleições tenha aumentado as apostas em uma solução diplomática, o caminho para um acordo ainda é incerto e pode provocar novas oscilações no mercado internacional.