O preço do petróleo Brent ultrapassou os US$ 125 por barril no início desta quinta-feira (30), em meio ao agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo.
O Brent para entrega em junho chegou a subir 6,2%, alcançando US$ 125,36 por barril. Já o contrato para julho avançou 3,1%, a US$ 113,85. O WTI, referência nos Estados Unidos, também registrou alta e atingiu US$ 109,38.
Horas depois, por volta das 8h (de Brasília), os preços reduziram parte dos ganhos. O Brent era negociado a US$ 109,35, em queda de 0,99%, enquanto o WTI recuava 1,06%, cotado a US$ 105,75.
Barris de petróleo | Foto: Reprodução\Reuters
Impasse pressiona mercado
A disparada nos preços ocorre diante da falta de avanço nas negociações entre Washington e Teerã e da permanência do fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas de exportação de petróleo do mundo.
Segundo relatos divulgados na quarta-feira (29), o presidente Donald Trump indicou a empresários do setor petrolífero que pretende manter o bloqueio naval aos portos iranianos.
Analistas afirmam que o cenário reduz as expectativas de normalização rápida do fluxo global de petróleo.
"O colapso das conversas entre EUA e Irã, juntamente com o relato de que o presidente Trump rejeitou a proposta do Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz, faz com que o mercado perca a esperança de qualquer retomada rápida nos fluxos de petróleo", afirmaram estrategistas do ING Bank em relatório.
Conflito entra na nona semana
A guerra envolvendo o Irã já está na nona semana e segue sem perspectivas claras de encerramento. Antes do início do conflito, no fim de fevereiro, o barril do Brent era negociado próximo de US$ 70.
Desde então, os preços passaram a oscilar fortemente em razão das incertezas sobre o fornecimento global de energia e possíveis impactos à infraestrutura petrolífera da região.
Especialistas alertam que uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz pode ampliar ainda mais a pressão sobre combustíveis e inflação em diversos países.
Dólar sobe e mercados reagem à crise
O aumento das tensões também impactou o mercado financeiro internacional. O dólar avançou frente a moedas consideradas mais vulneráveis e chegou a 160,51 ienes, maior nível em quase dois anos.
Segundo analistas, a moeda americana ganhou força tanto pelo cenário de risco global quanto pela decisão do Federal Reserve de manter os juros elevados.
Nos mercados acionários, bolsas da Ásia e os futuros de Wall Street registraram queda após um desempenho misto das ações americanas na quarta-feira.