- Expectativa para Selic muda de corte para manutenção em 13,75% após vitória de Lula.
- Opções de Copom indicam 68,8% de probabilidade de manutenção da taxa em novembro.
- Itaú prevê manutenção dos juros e menciona moderação da atividade econômica.
- HSBC projeta juros elevados até março de 2027 e revisa projeções de inflação e PIB.
- Pressão internacional, como guerras na Ucrânia e no Irã, aumenta riscos para a economia.
O cenário que o mercado financeiro considerava praticamente definido para a trajetória da taxa básica de juros mudou nas últimas semanas. A expectativa para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta-feira (4), passou de um possível corte na Selic para a manutenção dos juros em 13,75% ao ano.
A vitória do presidente Lula nas eleições, somada a uma série de riscos inflacionários internos e externos, fez com que bancos, corretoras e agentes econômicos revisassem suas projeções. Antes do segundo turno, a aposta majoritária era de uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa em novembro.
Mercado financeiro muda expectativa para a Selic
Um dos principais indicadores dessa mudança são as opções de Copom negociadas na B3, a bolsa de valores brasileira. Os contratos apontam uma alteração significativa nas expectativas dos investidores após o resultado eleitoral.
Antes do segundo turno, a probabilidade de redução da Selic em novembro superava os 70%. Após a vitória de Lula, as opções passaram a indicar uma probabilidade implícita de 68,8% de manutenção da taxa básica de juros.
As opções de Copom não representam uma projeção oficial da B3. Os indicadores são calculados a partir dos preços negociados nos contratos e refletem quanto os participantes do mercado estão dispostos a pagar por cada cenário.
Itaú prevê manutenção dos juros em 13,75%
O Itaú Unibanco também espera que o Banco Central mantenha a Selic em 13,75% na reunião desta quarta-feira (4). A instituição avalia que o Copom deverá mencionar uma moderação gradual da atividade econômica, mas sem afirmar que o nível de atividade já deixou de apresentar resiliência.
Outro fator de preocupação é a inflação. O banco identifica uma piora qualitativa nos dados do IPCA-15 de outubro e acredita que o comitê deverá reconhecer um distanciamento maior das expectativas inflacionárias em relação à meta estabelecida.
HSBC projeta juros elevados até março de 2027
O HSBC também prevê a manutenção da Selic em 13,75% ao ano até o fim de 2026. A expectativa da instituição é que os juros permaneçam inalterados até março de 2027.
Para o banco, a situação das contas públicas será determinante para as perspectivas econômicas do país. A instituição avalia que o Banco Central deverá adotar uma postura cautelosa até que sejam anunciadas as medidas econômicas para o quarto mandato do presidente Lula.
O HSBC também prevê uma deterioração das expectativas de inflação de médio e longo prazo. Por isso, espera que o Banco Central incorpore explicitamente os riscos fiscais em suas avaliações sobre a trajetória dos preços.
Banco revisa projeções para inflação e crescimento do PIB
Além das estimativas para a taxa de juros, o HSBC revisou suas projeções para os principais indicadores da economia brasileira.
Para a Selic, a expectativa é que a taxa termine 2027 em 12,50% ao ano. Já a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), deverá encerrar 2026 em 5,1% e 2027 em 5%, segundo as estimativas da instituição.
O banco também reduziu suas previsões para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A expectativa passou a ser de avanço de 1,6% em 2026 e de apenas 0,6% em 2027.
Guerras e cenário internacional aumentam pressão sobre os juros
Além das incertezas relacionadas ao resultado eleitoral e à política econômica do próximo governo Lula, o Banco Central enfrenta pressões vindas do cenário internacional.
A continuidade das guerras na Ucrânia e no Irã aumenta as preocupações com os preços do petróleo e de outros combustíveis, que podem pressionar a inflação em diferentes países, incluindo o Brasil.
O Itaú BBA destaca que o ambiente externo passou de um cenário considerado apenas incerto para uma situação adversa, ampliando os riscos para a economia e dificultando uma possível redução dos juros no curto prazo.