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Maior banco do mundo prevê recessão e anuncia saída da Argentina

Banco reduz projeção de 2,7% para 1,5% e prevê contração de 4% no terceiro trimestre.

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  • JP Morgan revisa projeção de crescimento argentino para 1,5% em 2026, após queda de 2,9% na atividade em julho.
  • Retração de 4,6% na indústria e 5,1% no comércio contribuíram para a queda de 1,4% da atividade em julho.
  • JP Morgan prevê contração de 4% no terceiro trimestre, mas mantém projeção de 2,5% para 2027.
  • Estima-se que quase um terço da população argentina esteja abaixo da linha da pobreza, com 9,7 milhões em situação de pobreza.
  • Desigualdade no crescimento econômico, com energia e mineração sustentando resultados, enquanto comércio e indústria enfrentam dificuldades.
Bank of America |Banco prevê crescimento de 2% no PIB do quarto trimestre | Foto: Bloomberg/Sergio Flores
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O Banco norte-americano JP Morgan revisou para baixo sua estimativa para o desempenho da economia argentina em 2026. A instituição reduziu a projeção de crescimento de 2,7% para 1,5% e passou a prever uma contração de 4% no terceiro trimestre. A avaliação ocorre depois de o país registrar, em julho, uma queda de 2,9% na atividade econômica em relação ao mês anterior.

Os números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) ficaram abaixo das expectativas do mercado. O JP Morgan havia estimado uma retração mensal próxima de 1%.

De acordo com o Estimador Mensal da Atividade Econômica (EMAE), a atividade econômica argentina recuou 1,4% em julho na comparação anual. Entre os setores que mais contribuíram para o resultado negativo estão a indústria, com retração de 4,6%, e o comércio, que apresentou queda de 5,1%.

Em relatório, o JP Morgan afirmou que esperava indicadores negativos para julho, considerando o cenário desfavorável observado durante o segundo trimestre, mas destacou que a retração foi significativamente maior do que a projetada pela instituição.

O banco também apontou que, com exceção de períodos como o confinamento de 2020, a crise financeira de 2008 e a crise argentina de 2018-2019, nenhuma queda mensal dessa magnitude havia sido registrada desde 2004.

Para o terceiro trimestre, a instituição financeira calcula uma contração de 4%. Para 2027, entretanto, mantém a previsão de crescimento de 2,5%, embora ressalte a existência de diferenças importantes entre os setores da economia.

Projeções diferentes

As estimativas do JP Morgan divergem das projeções de economistas privados consultados mensalmente pelo Banco Central da Argentina. Segundo o levantamento utilizado no relatório de expectativas da autoridade monetária, a média das previsões aponta para um crescimento de 2,1% da economia argentina em 2026.

A estimativa dos economistas privados também representa uma desaceleração em relação aos 4,4% projetados para 2025.

O governo de Javier Milei, por sua vez, havia trabalhado inicialmente com uma previsão de crescimento de 5%. Na proposta de orçamento encaminhada ao Congresso, porém, a estimativa foi revisada para 3% em 2026 e 4% em 2027.

Outro dado divulgado pelo INDEC neste mês mostrou que o Produto Interno Bruto (PIB) argentino encolheu 0,6% no segundo trimestre, em comparação com os três primeiros meses do ano.

Crescimento concentrado em poucos setores

Na avaliação do JP Morgan, o atual processo de crescimento da economia argentina ocorre de maneira desigual. A produção de energia e a mineração destinada à exportação têm contribuído para sustentar o resultado geral, mas, segundo o banco, esses setores possuem impacto limitado sobre o mercado interno.

Esse cenário não tem sido suficiente para recuperar o comércio atacadista e varejista. A indústria manufatureira e a construção também continuam enfrentando dificuldades.

O relatório relaciona ainda a fraqueza da demanda à inflação acima do esperado no primeiro trimestre e à desaceleração do crédito, influenciada pelo aumento da inadimplência.

Renda e pobreza

A retração da atividade econômica observada em julho ocorre paralelamente à perda de renda das famílias em relação à inflação.

Dados da Pesquisa Permanente de Domicílios (PPD), realizada em 31 áreas urbanas, apontaram que, no primeiro semestre de 2026, a pobreza atingiu 24,4% dos domicílios e 32,3% dos indivíduos, o equivalente a 15 milhões de pessoas.

No mesmo período, a pobreza extrema alcançou 5,6% dos domicílios e 7,5% da população, ou aproximadamente 3,5 milhões de pessoas.

Com base em sua análise, o JP Morgan estima que quase um terço da população argentina esteja abaixo da linha da pobreza. O cálculo corresponde a cerca de 9,7 milhões de pessoas distribuídas em aproximadamente 2,5 milhões de domicílios.

A deterioração dos indicadores está relacionada à diferença entre o aumento do custo de vida e a evolução da renda. A linha da pobreza subiu 19,6% em relação ao último trimestre de 2025, enquanto a renda familiar per capita avançou 11,5%.

O cenário também ocorre após o governo Milei não alcançar o objetivo anunciado de chegar à inflação “zero” em agosto, uma das principais bandeiras econômicas da administração.

Javier Milei, presidente da Argentina - Foto: Tomaz SIlva/Agência Brasil

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