Criadores de conteúdo têm se tornado protagonistas na estratégia das empresas de cruzeiros para atrair novos públicos, especialmente os mais jovens. Alguns chegam a faturar alto com esse mercado. É o caso da professora de administração Melissa Newman, que ganhou cerca de US$ 350 mil (R$ 1,8 milhões na conversão da moeda) em um ano com conteúdos sobre viagens marítimas.
Novo perfil de divulgação
Com quase meio milhão de seguidores, Newman compartilha dicas sobre cruzeiros em diferentes plataformas e monetiza o conteúdo com publicidade, links afiliados e serviços como agente de viagens.
Você pode ter 10 milhões de seguidores, mas se não monetizar isso, está apenas tagarelando nas redes sociais.
Ela faz parte de um grupo crescente de criadores que ajudam a mudar a imagem do setor, historicamente associado a um público mais velho.
Após o impacto da pandemia, quando operações foram suspensas, empresas passaram a investir mais em marketing digital. A aposta é simples: enquanto influenciadores lucram com viagens, as companhias alcançam um público que antes não considerava esse tipo de turismo.
Segundo o analista Conor Cunningham, da Melius Research, o objetivo é “quebrar o paradigma” sobre cruzeiros.
Já participei de vários lançamentos desses navios e dá para ver que há influencers por toda parte.
Menos celebridade, mais autenticidade
Empresas como a Virgin Voyages perceberam que grandes celebridades nem sempre geram conversões. A estratégia passou a priorizar criadores de nicho, com público mais engajado.
"O número de visualizações é irrelevante. O que importa são as ações, o engajamento e as conversas é aí que se vê a mudança real", afirmou Nathan Rosenberg, diretor de marketing da companhia.
Um dos exemplos é o criador Alex Ojeda, que ganhou destaque ao produzir vídeos de atrações radicais em navios da Royal Caribbean. Ele também participa do desenvolvimento de experiências, ajudando a adaptá-las ao público digital.
Crescimento do setor
O movimento acompanha a expansão da indústria. Dados da Cruise Lines International Association indicam que o número de passageiros deve ultrapassar 40 milhões até 2027, acima dos níveis pré-pandemia.
O Caribe segue como principal destino, com viagens curtas e mais acessíveis, especialmente populares entre millennials e novos consumidores.