- A inflação nos EUA acelerou em maio e alcançou o maior nível em três anos.
- O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 4,2% em 12 meses, superando as expectativas do mercado.
- A guerra no Oriente Médio afetou o mercado global de petróleo e impulsionou a alta dos preços da energia.
- O aumento da inflação representa um desafio para o governo Trump, especialmente às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro.
A inflação nos Estados Unidos acelerou em maio e atingiu o maior nível em três anos, pressionando o governo de Donald Trump em um momento sensível do cenário político.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 4,2% em 12 meses, acima dos 3,8% registrados em abril, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (11). O resultado ficou em linha com as expectativas do mercado.
O avanço dos preços foi impulsionado principalmente pelo aumento da energia, em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio.
O conflito, iniciado no fim de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, afetou o mercado global de petróleo. Em resposta, o Irã bloqueou o tráfego no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial.
Com isso, os preços da energia subiram 23,5% em relação ao ano anterior, enquanto a gasolina registrou alta de 40,5%, pressionando o custo de vida dos americanos.
Impacto político e eleições
O aumento da inflação representa um desafio para o governo Trump, especialmente às vésperas das eleições de meio de mandato, em novembro.
Embora o presidente sustente que a alta será temporária e aposta em um acordo de paz, o encarecimento do custo de vida tem peso direto sobre o eleitorado.
Os republicanos buscam manter o controle do Congresso, mas enfrentam um cenário mais adverso diante da pressão inflacionária. Uma eventual vitória democrata pode limitar a agenda do governo no Legislativo.
Pressão sobre famílias e setores
Além da energia, outros itens também registraram aumento. Os preços dos alimentos subiram pelo segundo mês consecutivo, enquanto serviços como atendimento médico, passagens aéreas e lazer também ficaram mais caros.
A inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, avançou para 2,9% em maio, (ante 2,8% em abril) indicando pressão mais disseminada na economia.
Fed monitora cenário e juros seguem no radar
O Federal Reserve trabalha com uma meta de inflação de 2% no longo prazo e deve avaliar os próximos passos da política monetária na reunião da próxima semana.
A expectativa do mercado é de manutenção dos juros no curto prazo, mas já há apostas em possíveis aumentos ao longo do ano, diante da persistência da inflação.
Antes da escalada do conflito, a projeção era de cortes nas taxas, cenário que perdeu força com o choque nos preços de energia.
O índice de preços de gastos com consumo (PCE), indicador preferido do Fed, também atingiu recentemente o nível mais alto em três anos.