O Ibovespa (IBOV) fechou esta terça-feira (3) em alta expressiva, mais uma vez impulsionado pelo fluxo de capital estrangeiro, enquanto investidores buscam diversificar investimentos que antes eram direcionados aos Estados Unidos. O principal índice da B3 subiu 1,58%, aos 185.674 pontos, enquanto o dólar comercial recuou 0,15%, a R$ 5,25.
ONDA DE VENDA DE AÇÕES
No exterior, uma onda de vendas de ações de tecnologia derrubou os preços das ações – que estavam próximos de níveis recordes. O movimento levou a uma rotação para setores mais sensíveis à economia e para mercados emergentes, beneficiando a bolsa brasileira.
O fluxo de capital estrangeiro impulsiona principalmente as maiores e mais líquidas ações da bolsa. A grande beneficiada do dia foi a Vale (VALE3), que é a ação com maior peso na carteira do Ibovespa.
Os papéis da mineradora saltaram quase 5% no pregão desta terça-feira, impulsionados também pela revisão de preço dos recibos de ação (ADRs) de Vale negociados na Bolsa de Nova York pelos analistas do Itaú BBA.
RECOMENDAÇÃO DE COMPRA
O BBA reiterou a recomendação de compra e elevou o preço-alvo das ADRs de US$ 14 para US$ 19 – valor que representa um potencial de alta (upside) de 17,1% sobre o fechamento da véspera.
O interesse dos investidores na Vale aumentou significativamente, refletindo não apenas as melhorias operacionais da empresa, mas também o impulso macroeconômico mais amplo, em particular a demanda renovada por exposição a ativos tangíveis e mercados emergentes, informaram os analistas em relatório.
Na ponta negativa, as units do Santander Brasil (SANB11) caíram 2,39% após a divulgação do balanço da matriz espanhola. Segundo o balanço publicado, a operação brasileira do banco alcançou 579 milhões de euros (aproximadamente R$ 3,58 bilhões) no lucro atribuído aos acionistas controladores no período.
O número divulgado não segue o mesmo padrão BR GAAP usado localmente pelos bancos brasileiros, mas sinaliza para onde deve apontar o balanço – programado para ser divulgado nesta quarta-feira (4), por volta das 6h.
O QUE AVALIAM OS INVESTIDORES?
Investidores avaliam ainda a divulgação da alta da última reunião de política monetária do Brasil que abriu espaço para cortes de juros a partir de março. Segundo a ata da última reunião, o país está se movendo em direção a um ciclo de flexibilização, à medida que a atividade econômica esfria gradualmente e o real se valoriza.
O documento, no entanto, aponta sinais mistos da economia e diz que ritmo e tamanho do afrouxamento dependerão dos próximos dados. No cenário atual, “sinais mistos em relação ao ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre os níveis de preços continuam a impedir a identificação de tendências claras”, escreveram os dirigentes, liderados por Gabriel Galípolo.
A ata é referente à decisão de 28 de janeiro, quando o Copom manteve a Selic inalterada em 15% – seu maior patamar em quase duas décadas.
(Com informações da Bloomberg Línea)