- Evento SAP NOW AI Tour Brazil 2026 discutiu uso da inteligência artificial em diferentes áreas corporativas, com mais de 4,2 mil participantes.
- Agentes de IA ganham espaço nos negócios, permitindo execução de tarefas com integração de dados e governança, segundo a SAP.
- Qualidade dos dados é um dos principais desafios para ampliar o uso da IA, segundo estudo da SAP com 2.600 líderes empresariais.
- Capacitação de profissionais e governança são fatores críticos para a adoção estratégica da inteligência artificial nas empresas.
- IA também é aplicada em setores não tradicionais, como dança, auxiliando na criação coreográfica e adaptação de espetáculos.
A inteligência artificial já está presente em diferentes áreas das empresas, mas ampliar seu uso ainda depende de fatores como qualidade dos dados, segurança, governança e capacitação profissional. O cenário foi discutido durante o SAP NOW AI Tour Brazil 2026, realizado nos dias 9 e 10 de setembro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo.
Em sua 31ª edição, o evento reuniu mais de 4,2 mil pessoas, incluindo cerca de 3 mil clientes e 700 parceiros. A programação contou com mais de 300 sessões sobre temas como Cloud ERP, Data & Analytics e Joule, além de aplicações de inteligência artificial em áreas como finanças, cadeia de suprimentos, recursos humanos e experiência do cliente.
Agentes de IA ganham espaço nos negócios
Um dos principais temas do encontro foi o avanço dos agentes de inteligência artificial. Diferentemente de ferramentas destinadas a tarefas isoladas, esses sistemas podem ser conectados a dados, aplicações e processos das empresas para executar e coordenar determinadas atividades.
A proposta apresentada pela SAP faz parte do conceito de Autonomous Enterprise. Nesse modelo, as pessoas continuam responsáveis por definir estratégias, prioridades e decisões que exigem julgamento, enquanto a inteligência artificial pode assumir etapas específicas da execução.
Para incorporar agentes aos processos, as empresas precisam estabelecer quais dados podem ser acessados, quais ações os sistemas estão autorizados a realizar e em quais situações é necessária a intervenção humana. Segurança, privacidade e governança também fazem parte desse processo.
Durante o evento, o Agent Lab permitiu aos participantes experimentar a criação de agentes com o Joule Studio 2.0. Segundo a SAP, os usuários conseguiram desenvolver, em cerca de 30 minutos, agentes que, em um processo convencional, poderiam levar aproximadamente quatro meses para serem construídos.
“Estamos entrando em uma fase na qual a inteligência artificial deixa de atuar apenas em casos isolados e passa a participar de processos completos, com contexto, integração e governança”, afirmou Rui Botelho, CEO da SAP Brasil.
Qualidade dos dados é um dos principais desafios
Apesar do avanço da tecnologia, a estrutura de dados ainda aparece como uma das principais limitações para ampliar o uso da inteligência artificial.
O estudo The Value of AI: Brazil 2026, produzido pela SAP em parceria com a Oxford Economics e apresentado durante o evento, ouviu 2.600 líderes empresariais de 13 países, sendo 200 no Brasil.
Segundo o levantamento, o investimento médio das empresas brasileiras em IA chegou a US$ 20,8 milhões em 2026, contra US$ 14,2 milhões na pesquisa anterior. A previsão é de crescimento de 46% nos próximos dois anos.
O retorno médio dos investimentos também aumentou, passando de 16% para 19%, o equivalente a US$ 5,5 milhões. Ao mesmo tempo, 75% das empresas brasileiras apontaram a qualidade ou a disponibilidade dos dados como um dos fatores que dificultam ampliar os resultados dos projetos de inteligência artificial.
A participação da IA nas tarefas também deve crescer. Atualmente, 26% das atividades contam com algum tipo de apoio da tecnologia, percentual que, segundo a pesquisa, pode chegar a 44% em dois anos.
Mesmo com essa expansão, apenas 18% das empresas entrevistadas afirmaram adotar a inteligência artificial de maneira estratégica e integrada.
Outro ponto identificado pelo levantamento é a ocorrência de respostas de baixa qualidade. 80% das empresas brasileiras disseram ter enfrentado esse problema pelo menos ocasionalmente, com consequências como retrabalho, atrasos e acúmulo de demandas.
Capacitação acompanha expansão da tecnologia
A falta de profissionais preparados também aparece como obstáculo à adoção da IA. De acordo com o estudo, 65% das empresas brasileiras apontam a ausência de habilidades ou de conhecimento especializado como um dos fatores que limitam a geração de valor com a tecnologia.
Em relação à governança, apenas 12% das empresas disseram estar totalmente preparadas em termos de habilidades para administrar o uso da inteligência artificial. Já 15% consideraram estar preparadas em relação a processos e estruturas.
Os dados indicam que a expansão da IA não depende apenas da aquisição de ferramentas, mas também da capacidade das organizações de organizar informações, estabelecer regras para o uso da tecnologia e preparar profissionais para trabalhar com esses sistemas.
Inteligência artificial também chega à dança
As aplicações apresentadas no evento também mostraram usos da inteligência artificial fora dos setores tradicionalmente ligados à tecnologia e à administração.
Um dos exemplos foi um projeto desenvolvido pela São Paulo Escola de Dança em parceria com a SAP e a Associação Pró-Dança. A iniciativa utiliza inteligência artificial para auxiliar diferentes etapas da criação coreográfica e da preparação de espetáculos de balé.
A ferramenta permite trabalhar com movimentos, ensaios e adaptações de coreografias para diferentes palcos e formações de bailarinos. Textos e desenhos produzidos pelos próprios artistas são utilizados para fornecer contexto ao sistema e testar possibilidades.
Nesse processo, a tecnologia é apresentada como ferramenta de apoio à criação, sem substituir as decisões do coreógrafo ou a interpretação dos bailarinos.