O Fundo Monetário Internacional revisou para cima a estimativa de crescimento da economia brasileira em 2026, indicando que o Produto Interno Bruto deve avançar 1,9% — um aumento de 0,3 ponto percentual em relação à projeção divulgada em janeiro. A atualização consta no relatório Panorama Econômico Mundial (WEO), publicado nesta terça-feira (14), e leva em conta, entre outros fatores, os impactos da guerra no Oriente Médio, que podem trazer efeito líquido levemente positivo para o Brasil.
De acordo com o Fundo, a revisão se deve ao fato de o país ser exportador líquido de energia, o que pode gerar ganhos diante de possíveis interrupções no transporte pelo Estreito de Ormuz. Com isso, o FMI reverte a redução feita no início do ano, quando havia diminuído a previsão de 1,9% para 1,6%. A instituição também destaca que o Brasil possui fundamentos que ajudam a enfrentar cenários adversos, como reservas internacionais consistentes, baixa exposição à dívida em moeda estrangeira, elevados níveis de caixa do governo e câmbio flexível.
Durante a apresentação do relatório, a diretora-adjunta do Departamento de Pesquisa do FMI, Petya Koeva Brooks, afirmou que a melhora nas projeções não está relacionada apenas aos termos de troca, mas também ao desempenho sólido da economia no segundo semestre do ano passado, cujos efeitos se estendem para 2026. Ela também ressaltou o peso das energias renováveis na matriz brasileira como um fator adicional de proteção.
“Também é importante destacar que o Brasil é um dos países com alta participação de energias renováveis, o que funciona como um fator adicional de mitigação”, completou.
Para 2027, no entanto, a perspectiva é de desaceleração. O FMI projeta crescimento de 2%, com redução de cerca de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa anterior, influenciado pela perda de fôlego da economia global, aumento nos custos de insumos — como fertilizantes — e condições financeiras mais restritivas.
Na comparação com outras instituições, a projeção do FMI é mais otimista que a do Banco Mundial, que revisou sua estimativa para 1,6% em 2026. Também supera levemente a previsão de analistas consultados pelo Banco Central do Brasil no Boletim Focus, que aponta crescimento de 1,83% para o período. Já o Ministério da Fazenda mantém uma visão mais positiva, com projeção de expansão de 2,3% neste ano, mesmo diante dos efeitos do conflito no Oriente Médio.
No cenário regional, o FMI estima que a América Latina e o Caribe devem crescer 2,3% em 2026, com aceleração para 2,7% em 2027. Em relação às projeções de janeiro, houve leve melhora para este ano e manutenção das expectativas para o período seguinte.