- O governo dos EUA anuncia novas medidas para flexibilizar tarifas de importação de carne bovina.
- A medida visa aumentar a oferta do produto no país e conter alta nos preços dos alimentos.
- Frigoríficos e exportadores podem vender mais carne aos EUA pagando tarifas menores.
- A flexibilização é vista como tentativa de reduzir pressão da inflação sobre os consumidores.
O governo dos Estados Unidos deve anunciar nesta segunda-feira (11) novas medidas para flexibilizar as tarifas de importação da carne bovina, com o objetivo de aumentar a oferta do produto no país e tentar conter a alta nos preços dos alimentos. Segundo informações do jornal The Wall Street Journal, a proposta prevê a suspensão temporária das cotas tarifárias que elevam os impostos após determinado volume de importação, o que pode beneficiar países exportadores, como o Brasil.
A decisão acontece em meio ao aumento histórico no preço da carne bovina no mercado norte-americano. Com a flexibilização, frigoríficos e exportadores poderão vender mais carne aos Estados Unidos pagando tarifas menores, facilitando a entrada de cortes bovinos e carne moída no país. A medida é vista como uma tentativa do governo americano de reduzir a pressão da inflação sobre os consumidores.
Mercado já esperava aumento das exportações
Para o analista de mercado da Terra Investimentos, Geraldo Isoldi, o movimento já vinha sendo acompanhado pelo setor desde o ano passado, principalmente após mudanças no cenário internacional envolvendo a China.
“Nós já contávamos com a continuidade do aumento do volume de exportações para os EUA, movimento que começou no ano passado, para compensar parte das potenciais perdas decorrentes das salvaguardas chinesas. Uma facilidade nas tarifas nesse momento vem de bom grado”, afirmou.
O especialista destacou ainda que os Estados Unidos enfrentam dificuldades para suprir a demanda interna por carne bovina.
“O preço da carne nos EUA continua subindo de maneira bem intensa. Eles realmente precisam da nossa carne”, completou.
Rebanho dos EUA enfrenta crise histórica
A alta no preço da proteína está ligada à redução do rebanho bovino norte-americano. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam que o país vive o menor nível de rebanho dos últimos 75 anos.
A seca enfrentada por produtores nos últimos anos, somada aos impactos econômicos da pandemia, fez muitos pecuaristas reduzirem seus plantéis. Como consequência, a oferta de carne caiu, enquanto os preços continuaram subindo. Segundo o The Wall Street Journal, o preço da carne moída aumentou cerca de 40% nos últimos cinco anos.
Governo Trump prevê medidas para produtores rurais
Além da redução das tarifas de importação, o plano do governo do presidente Donald Trump também inclui medidas voltadas aos produtores rurais norte-americanos. Entre as ações previstas estão a ampliação de linhas de crédito, facilitação de financiamentos e redução de exigências regulatórias para pecuaristas.
O governo também discute mudanças em regras relacionadas à identificação eletrônica do gado e normas ambientais ligadas à proteção de lobos, tema frequentemente criticado por produtores dos Estados Unidos.
Flexibilização pode beneficiar exportadores brasileiros
A flexibilização tarifária pode abrir espaço para um aumento nas exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos nos próximos meses. O país norte-americano segue como um dos maiores consumidores de carne do mundo e tenta equilibrar a inflação dos alimentos sem comprometer a produção interna.
Segundo o The Wall Street Journal, a administração americana também revisa tarifas envolvendo outros produtos, como alimentos, madeira, móveis, aço e alumínio, dentro de um pacote mais amplo de medidas econômicas.