Na última sexta-feira (20), os Estados Unidos anunciaram a revogação da tarifa de 40% aplicada ao Brasil, além do fim das chamadas tarifas recíprocas de 10%, que atingiam diversos países e produtos.
No mesmo dia, porém, o governo norte-americano estabeleceu uma tarifa global de 10% para todos os países, com exceção de alguns produtos específicos. No sábado (21), os EUA informaram que pretendem elevar essa taxa para 15%, mas a medida ainda não foi oficializada.
Impactos na economia brasileira
Com as novas regras, cerca de 25% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 9,3 bilhões que passam a ser taxadas em 10% (ou 15%, caso o aumento seja confirmado). Esses produtos agora enfrentam a mesma tarifa aplicada a outros países.
Por outro lado, 46% das exportações brasileiras para os EUA em 2025, cerca de US$ 17,5 bilhões,deixam de ter qualquer tarifa adicional, devido às exceções previstas na medida publicada em 20 de fevereiro.
Já 29% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano (US$ 10,9 bilhões) continuam sujeitas às tarifas já impostas anteriormente.
Ampliação em diversos setores
O novo regime tarifário amplia a competitividade de diferentes setores da indústria brasileira nos Estados Unidos. Segmentos como máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais deixam de enfrentar tarifas de 50% e passam a competir com alíquota de 10% (ou 15%), em igualdade com outros países.
Uma das principais mudanças é a exclusão das aeronaves das novas tarifas. O setor passa a ter alíquota zero para entrada no mercado norte-americano — antes era de 10%. Em 2024 e 2025, as aeronaves foram o terceiro principal item exportado pelo Brasil aos EUA, com alto valor agregado e conteúdo tecnológico.
No setor agropecuário, produtos como pescados, mel, tabaco e café solúvel também deixam a alíquota de 50% e passam a ser taxados em 10% (ou 15%), competindo em condições equivalentes às de outros fornecedores internacionais.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 82,8 bilhões, crescimento de 2,2% em relação a 2024. As exportações brasileiras alcançaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 45,1 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.