O dólar encerrou esta segunda-feira (27) em queda de 0,32% frente ao real, cotado a R$ 4,98. Com o resultado, a moeda americana atingiu o menor nível desde março de 2024, após ter avançado 1,10% na última sexta-feira (24), quando fechou a R$ 5,00.
O Ibovespa, principal índice da B3, também fechou em baixa de 0,61%, aos 189.578,79 pontos. Foi o terceiro dia de mercado consecutivo de recuo. Na sexta-feira, o índice já havia caído 0,33%, encerrando o dia aos 190.745,02 pontos.
Cenário externo segue no radar dos mercados
Os mercados globais continuam reagindo aos desdobramentos da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. O impasse nas negociações de paz persiste, enquanto o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passava cerca de 20% do petróleo mundial antes do conflito, segue fechado.
Nesta segunda-feira, o Irã teria apresentado uma proposta para reabrir o estreito como parte de uma possível distensão, mas sem incluir restrições ao seu programa nuclear, exigência central dos Estados Unidos para qualquer acordo.
A ausência de avanços diplomáticos relevantes mantém elevados os prêmios de risco no mercado. Nesse contexto, o petróleo voltou a subir. O barril do tipo Brent, referência global, avançou 2,75%, a US$ 108,23. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiu 2,09%, a US$ 96,37.
gráficos econômicos - FOTO: Reprodução
Real segue forte apesar da incerteza
Mesmo com o ambiente de tensão geopolítica, o real segue valorizado. Para analistas, o mercado ainda não precifica uma escalada mais ampla do conflito, o que reduz a busca por ativos considerados seguros, como o dólar.
Segundo o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, o petróleo acima de US$ 100 melhora os termos de troca do Brasil e amplia a expectativa de superávit comercial, aumentando a entrada de dólares no país.
“Somado ao diferencial de juros ainda elevado, isso continua atraindo fluxo para o Brasil e sustentando a valorização do real”, afirma.
Juros e mercados de renda fixa
Shahini também destaca que os juros futuros acompanharam o movimento internacional. As Treasuries norte-americanas avançaram com a alta do petróleo, o que pressionou a curva de DI no Brasil e reforçou a sensibilidade do mercado doméstico ao cenário externo.
Bolsa sente aversão ao risco
A queda do Ibovespa reflete maior cautela dos investidores diante da falta de avanços nas negociações entre EUA e Irã. A proximidade das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, previstas para quarta-feira (29/4), também contribuiu para a postura mais defensiva do mercado.
Segundo a Ativa, os destaques positivos do pregão foram Usiminas, Prio e Assaí. A Usiminas avançou após divulgar resultados do primeiro trimestre de 2026, enquanto o Assaí foi beneficiado por revisão de preço-alvo. Já as maiores quedas ficaram com as construtoras Cury e Cyrela.