- 42% dos brasileiros têm dinheiro como principal preocupação, superando outros temas como saúde e família.
- 56% dos entrevistados não possuem reserva de emergência, situação que persiste há quatro anos consecutivos.
- Cartão de crédito é citado por 60% como principal motivo de endividamento, seguido por empréstimo pessoal e consignado.
- 72% dos brasileiros afirmam que dificuldades financeiras prejudicam o bem-estar emocional e a qualidade de vida.
- 69% dos entrevistados dizem ser mais felizes e produtivos com maior estabilidade financeira e melhor planejamento.
Uma pesquisa da fintech Onze, realizada em parceria com a Icatu Seguros e cedida ao g1, revelou que o dinheiro é a principal fonte de preocupação para 42% dos brasileiros. O índice supera temas como saúde (22%), família (15%), violência (10%), política (6%) e trabalho (5%).
O levantamento foi realizado entre 26 de maio e 1º de junho e ouviu 8.391 pessoas, entre trabalhadores com carteira assinada (CLT), microempreendedores individuais (MEIs), desempregados, empresários, aposentados e servidores públicos. Os dados apontam um cenário de falta de planejamento financeiro e sobrecarga emocional.
Maioria não possui reserva de emergência
Entre os entrevistados, 56% afirmaram não possuir reserva de emergência, situação que aparece como destaque pelo quarto ano consecutivo. Além disso, 15% disseram não ter reserva financeira e ainda possuir dívidas. A pesquisa também mostra que 53% afirmam que a renda não é suficiente para cobrir os gastos mensais ou que estão endividados e/ou com o nome negativado.
O principal receio apontado pelos participantes é não ter dinheiro para enfrentar situações de emergência, como problemas de saúde, acidentes ou ajuda a familiares, citado por 58% dos entrevistados.
Na sequência aparecem:
- 33% temem não conseguir pagar as contas do mês;
- 25% se preocupam em garantir um futuro melhor para os filhos;
- 22% têm como principal preocupação quitar dívidas ou limpar o nome.
Cartão de crédito é o principal motivo de endividamento
Entre os entrevistados que possuem dívidas, cerca de 60% citaram o cartão de crédito, seja por compras parceladas ou faturas em aberto.
Na sequência aparecem:
- Empréstimo pessoal (30%);
- Crédito consignado, incluindo o Crédito do Trabalhador (26%).
Segundo a pesquisa, 45% recorreram ao crédito para cobrir despesas básicas, como alimentação e contas do mês. Outros 23% utilizaram empréstimos para enfrentar emergências inesperadas, enquanto 13% recorreram ao crédito para renegociar dívidas ou regularizar o nome.
Responsabilidade familiar aumenta pressão financeira
O levantamento aponta que 78% dos entrevistados possuem pelo menos um dependente financeiro, fator que contribui para o aumento da pressão sobre o orçamento familiar. Além disso, 53% afirmaram que raramente conversavam ou ainda conversam sobre educação financeira no ambiente familiar.
A pesquisa mostra ainda que 63% dos entrevistados não possuem qualquer tipo de proteção financeira para situações como morte ou invalidez. Outro dado revela que 89% nunca buscaram consultoria ou orientação especializada para organizar as finanças ou sair do endividamento.
Segundo Antonio Rocha, CEO e cofundador da Onze, o cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento porque transmite a falsa sensação de aumento da renda disponível. Já Henrique Diniz, diretor de Produtos de Previdência da Icatu Seguros, afirma que o ambiente de consumo também contribui para o aumento das dívidas.
Problemas financeiros afetam a saúde mental
A instabilidade financeira também impacta diretamente a saúde mental dos brasileiros. De acordo com o levantamento, 72% afirmam que as dificuldades financeiras prejudicam o bem-estar emocional e a qualidade de vida. Em situações mais graves, 9% disseram que as preocupações com dinheiro também afetam a saúde física.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- Ansiedade (65%);
- Insônia (53%);
- Depressão (18%).
O estudo conclui que o chamado estresse financeiro compromete não apenas a saúde física e mental, mas também a produtividade no trabalho e os relacionamentos pessoais. Ao todo, 69% dos entrevistados afirmaram que seriam mais felizes e mais produtivos caso alcançassem maior estabilidade financeira, por meio de planejamento e melhor organização das finanças.