O Comitê de Política Monetária, ligado ao Banco Central do Brasil, decidiu nesta quarta-feira (29) reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 14,75% para 14,50% ao ano. A Selic é o principal instrumento utilizado para controlar a inflação, com impacto mais direto sobre o custo de vida da população, especialmente a de menor renda.
A decisão ocorre em um cenário internacional marcado por instabilidade, com destaque para a guerra no Oriente Médio, que tem pressionado os preços globalmente. No comunicado oficial, o comitê ressaltou a necessidade de cautela diante do aumento das incertezas e afirmou que os próximos passos dependerão da evolução do cenário, sobretudo dos efeitos do conflito sobre a inflação.
A alta do petróleo já começa a refletir nos preços dos combustíveis no Brasil, o que leva parte dos analistas a defender uma interrupção no ciclo de cortes de juros. O Copom é formado pelo presidente do Banco Central e oito diretores — atualmente, com maioria indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta reunião, o diretor Rodrigo Alves Teixeira não participou.
Desde 2025, o país adota o sistema de meta contínua de inflação, com objetivo central de 3%, considerado cumprido se o índice variar entre 1,5% e 4,5%. Para definir a Selic, o Banco Central considera projeções futuras de inflação, já que os efeitos das mudanças nos juros levam de seis a 18 meses para se refletirem plenamente na economia. Atualmente, as decisões já miram o cenário projetado para 2027.
Para 2026, a estimativa do mercado financeiro aponta que o IPCA deve ficar em torno de 4%, acima da meta central estabelecida.