- Governo registra superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro, após déficit de R$ 14,4 bilhões no mesmo mês de 2025.
- Aumento das receitas com petróleo e Imposto de Renda impulsionaram o resultado positivo, além de recursos devolvidos após cancelamento de precatórios.
- Receita líquida cresceu 13,6% em termos reais, enquanto despesas tiveram alta de 2,4%, impulsionadas por subsídios ao diesel e gastos com guerra no Oriente Médio.
- Benefícios previdenciários pressionaram despesas, mas foram parcialmente compensados pela redução de gastos discricionários.
- Deficit acumulado em 2026 chega a R$ 90,2 bilhões, abaixo do déficit de R$ 100,3 bilhões no mesmo período de 2025.
As contas do Governo Central registraram superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro, após déficit de R$ 14,4 bilhões no mesmo mês de 2025. O resultado, divulgado nesta quinta-feira (29) pela Secretaria do Tesouro Nacional, considera as contas do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central.
Esse também foi o melhor resultado para meses de setembro desde 2023, quando foi registrado um superávit primário de R$ 13,44 bilhões.
A receita líquida cresceu 13,6% acima da inflação na comparação com setembro do ano passado, um aumento real de R$ 24,6 bilhões. Já as despesas tiveram alta real de 2,4%, equivalente a R$ 4,7 bilhões.
Segundo o Tesouro, o resultado positivo foi impulsionado principalmente pelo aumento das receitas com petróleo e Imposto de Renda, além da entrada extraordinária de recursos devolvidos à União após o cancelamento de precatórios de exercícios anteriores pelo Poder Judiciário.
Petróleo e Imposto de Renda elevam arrecadação
As receitas provenientes da exploração de recursos naturais cresceram R$ 5,7 bilhões em termos reais, uma alta de 71,9%. De acordo com o Tesouro, o avanço foi influenciado pela valorização internacional do petróleo, pelo aumento da produção e pela comercialização de petróleo e gás da União pela Pré-Sal Petróleo (PPSA).
Outra contribuição veio das demais receitas não administradas, que aumentaram R$ 12,8 bilhões acima da inflação. O principal fator foi a devolução de recursos referentes a precatórios cancelados.
A arrecadação do Imposto de Renda também avançou, com crescimento real de R$ 7,3 bilhões, puxado principalmente pelo Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).
Além disso, o imposto de exportação sobre óleo bruto contribuiu com R$ 2,9 bilhões em arrecadação no mês.
Gastos extraordinários incluem subsídios ao diesel
Pelo lado das despesas, os créditos extraordinários aumentaram R$ 9,9 bilhões em termos reais. Segundo o Tesouro, a maior parte dos recursos foi destinada a medidas para reduzir os impactos econômicos da guerra no Oriente Médio.
Desse total, R$ 7,6 bilhões foram direcionados a subvenções econômicas para a produção e a importação de diesel e derivados de petróleo.
O conflito teve reflexos tanto nas receitas quanto nos gastos públicos. Enquanto a valorização do petróleo contribuiu para elevar a arrecadação com recursos naturais, o governo ampliou despesas extraordinárias para tentar amenizar os efeitos econômicos da guerra.
Benefícios previdenciários pressionam despesas
Os gastos com benefícios previdenciários cresceram R$ 2,1 bilhões acima da inflação em relação a setembro de 2025. Segundo o relatório, o aumento está relacionado à expansão do número de beneficiários do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e à política de valorização real do salário mínimo.
Parte dessa pressão foi compensada pela redução de R$ 8,4 bilhões, em termos reais, nas despesas discricionárias, que são os gastos não obrigatórios do governo.
Déficit acumulado chega a R$ 90,2 bilhões
Apesar do superávit registrado em setembro, o Governo Central ainda acumula déficit primário em 2026. De janeiro a setembro, o resultado negativo foi de R$ 90,2 bilhões, abaixo do déficit de R$ 100,3 bilhões registrado no mesmo período de 2025.
A comparação indica uma redução do déficit acumulado em relação ao ano passado, embora as contas públicas continuem no vermelho no período.
Com informações da Agência Brasil