A partir de 1º de janeiro, uma série de cotas sobre importação de carne bovina para China entrará em vigor. Fornecedores como Brasil e Argentina podem enfrentar complicações devido às taxas punitivas, caso certos limites sejam ultrapassados.
O país asiático argumenta que as medidas são necessárias já que o aumento das importações estaria prejudicando a indústria chinesa. A taxação pode chegar a 55%, conforme informou o Ministério do Comércio na quarta-feira (30), o que deve prejudicar diretamente o Brasil - principal fornecedor do produto do país.
COTAS GRADUAIS
O aumento das cotas está previsto para acontecer de maneira gradual a cada ano. De 2,69 milhões de toneladas em 2026 para 2,74 milhões em 2027, e posteriormente, 2,8 milhões de toneladas em 2028.
Os principais fornecedores da China são o Brasil, Argentina, Uruguai e Nova Zelândia. Esses poderão enviar um volume correspondente à sua participação no mercado chinês.
Alguns países, no entanto, conseguiram se livrar da taxação. Mongólia, Coreia do Sul e Tailândia estão isentos por serem produtores menores.
COMO FICA A SITUAÇÃO DO BRASIL?
O país será um dos mais afetados com as novas medidas chinesas. Já que o gigante asiático responde por metade de suas exportações totais de carne bovina.
O Brasil recebeu uma cota de pouco mais de 1 milhão de toneladas por ano. Já os limites para os EUA estão fixados entre 164.000 em 2026, subindo para 168.000 em 2027 e depois 171 em 2028 - bem acima dos fluxos comerciais atuais.
O ministro da Agricultura, Carlos Favaro, disse que negociações serão feitas entre ambos os países. Favaro afirmou que irá verificar se os países que não utilizarem totalmente suas cotas podem transferir essas quantidades ao Brasil.
Para os consumidores fora da China, a medida é vista com bons olhos. Isso porque podem potencialmente aliviar preços que atingem níveis recordes devido a alta demanda e oferta limitada.
MERCADO CHINÊS
As importações de carne bovina da China aumentaram nos últimos anos. A produção doméstica cresceu muito impulsionada pelo governo.
Agora, a oferta abundante pressiona a indústria local, à medida que os consumidores reduzem o consumo deixando os freezers cheios.
Os preços da carne bovina no atacado caíram para o menor nível desde 2019 no início deste ano.