O mercado de cervejaria foi pego de surpresa nesta segunda-feira (12) com a renúncia do presidente-executivo da Heineken, Dolf van den Brink, após seis anos à frente da tradicional marca holandesa.
Nascido em 1973, o executivo, de 53 anos, assumiu o cargo de CEO em 1º de junho de 2020, em pleno período da pandemia da Covid-19, sucedendo Jean-François van Boxmeer. Van den Brink construiu uma carreira de mais de 22 anos dentro da empresa antes de chegar ao comando global.
Antes de se tornar CEO, ele atuou como chefe da divisão Ásia-Pacífico, sendo apontado como peça-chave na formação de equipes de alto desempenho, especialmente em mercados desenvolvidos.
Motivos da saída
Nos bastidores, comenta-se que a renúncia teria sido motivada principalmente por vendas fracas e pela insatisfação de investidores. Sob sua gestão, a Heineken, segunda maior fabricante de cerveja do mundo, teria ficado atrás de concorrentes em indicadores como eficiência de custos e retorno aos acionistas.
Impacto no setor
A saída de Van den Brink gera incertezas no mercado e levanta questionamentos sobre os próximos passos estratégicos da companhia, que enfrenta um cenário global cada vez mais competitivo no setor de bebidas.
Acredito que este é o momento certo para a liderança de transição. Os últimos anos foram marcados por mudanças significativas à medida que a Heineken progrediu através de sua transformação e agora chegou a um estágio em que uma transição na liderança melhor servirá a empresa para executar ainda mais suas ambições de longo prazo, disse Van den Brink.
Saída ocorre em meio a crise no setor de consumo
Embora o anúncio tenha causado espanto, Dolf van den Brink é apenas mais um de uma série de CEOs de empresas de consumo que deixaram seus cargos após anos difíceis para o setor. O cenário de alto custo de vida tem pressionado o orçamento dos consumidores, afetando diretamente o desempenho das companhias.
Nos últimos anos, o setor vem enfrentando uma forte inflação de custos, combinada com queda nas vendas, fatores que acabaram reduzindo margens de lucro e impactando negativamente o valor das ações das empresas do segmento.
Busca por novo CEO da Heineken
Ao oficializar a saída de Van den Brink, o conselho de administração da Heineken informou que dará início a uma busca por um sucessor para liderar a fabricante da cerveja Heineken, além de marcas globais como Tiger e Amstel.
Van den Brink deixará oficialmente o cargo em 31 de maio, mas permanecerá disponível como consultor da empresa por um período de oito meses, a partir de junho, com o objetivo de apoiar a transição da liderança e garantir a continuidade da gestão.