- Brasil lidera adoção de criptoativos no mundo, movimentando US$ 252,5 bilhões em 2026.
- Empresas brasileiras destacam uso de stablecoins para liquidez e transferências internacionais.
- Banco Central impõe novas regras para serviços de ativos virtuais, exigindo governança e compliance.
- Brasil aumenta participação no mercado latino-americano de criptoativos, passando de 31,6% para 43,7%.
- América Latina cresce 9,8% no mercado de criptoativos, impulsionado pelo uso de stablecoins.
O Brasil lidera a adoção de criptoativos no mundo, segundo o Geography of Cryptocurrency Report 2026, da Chainalysis. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (23), analisou a atividade relacionada a criptomoedas nos 12 meses encerrados em junho de 2026.
Durante o período, o Brasil movimentou US$ 252,5 bilhões em negócios ligados a criptoativos. O país ficou à frente de mercados como Estados Unidos, Nigéria, Japão e Coreia do Sul. A movimentação brasileira corresponde a 2,7% dos US$ 9,4 trilhões movimentados globalmente no período.
Empresas impulsionam uso de stablecoins
Segundo a Chainalysis, o Brasil se destacou pela atividade relativamente distribuída entre diferentes formas de utilização de criptoativos. O relatório associa parte relevante desse movimento ao uso empresarial de stablecoins, criptomoedas projetadas para acompanhar o valor de outros ativos, como o dólar.
As empresas utilizam esses ativos principalmente para liquidez e transferências internacionais, segundo o estudo. A Chainalysis aponta ainda como possíveis fatores para o desempenho brasileiro a maior clareza regulatória, os investimentos no setor e o fortalecimento das ofertas locais.
Novas regras para empresas do setor
O relatório cita as novas regras estabelecidas pelo Banco Central para prestadores de serviços de ativos virtuais. As normas incluem requisitos relacionados a governança, gestão de riscos, segurança, compliance e capital mínimo.
Segundo a avaliação apresentada no estudo, exigências maiores podem pressionar empresas menores e contribuir para uma consolidação do mercado. “Quando as regras chegam, a confiança vem junto”, afirmou Julia Rosin, presidente da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), em comentário citado no relatório.
O levantamento também identificou uma mudança na participação das plataformas brasileiras. As exchanges sediadas no Brasil respondiam por apenas 1,5% dos fluxos anteriormente e passaram a representar 12,5%. O movimento contrasta com o observado no restante da América Latina, onde as plataformas domésticas perderam participação para concorrentes internacionais.
Mercado latino-americano cresce 9,8%
Enquanto a atividade do mercado global de criptomoedas encolheu 1,6%, a América Latina registrou crescimento de 9,8%, segundo o relatório. A expansão regional foi associada principalmente ao aumento do uso de stablecoins e à utilização de criptoativos como proteção diante da volatilidade cambial.
“Aqui na América Latina, toda essa adoção vem da necessidade. Não é adoção simplesmente pela adoção”, afirmou Carlos Peralta, especialista sênior em políticas públicas da Bitso, em declaração citada no estudo. Ben Reid, chefe global de stablecoins da plataforma de investimentos, classificou os criptoativos, especialmente as stablecoins, como parte do cenário financeiro da América Latina.
Brasil amplia participação na região
O Brasil também aumentou sua participação no mercado de criptoativos da América Latina. Segundo a Chainalysis, a participação brasileira passou de 31,6% em 2022 para 43,7% em 2026. Na região, o Brasil aparece à frente da Argentina, que movimentou US$ 88,5 bilhões, e do México, com US$ 77,6 bilhões, no período analisado.