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BASF inaugura fábrica de US$ 11,6 bilhões na China, mas prevê lucros menores em meio à guerra, afirma CEO

a escalada das tensões envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã tem interrompido fluxos de petróleo bruto e nafta do Oriente Médio, matérias-primas essenciais para a indústria.

BASF inaugura fábrica de US$ 11,6 bilhões na China | Foto: Reprodução/ BASF
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Um dos principais executivos da BASF afirmou que os lucros de sua nova instalação petroquímica na China, avaliada em € 10 bilhões (US$ 11,6 bilhões), devem ficar bem abaixo do esperado nos próximos dois anos.

A maior fabricante de produtos químicos da Europa decidiu realizar, em 2018, o maior investimento de sua história até então. No entanto, o setor vem sendo pressionado pelo excesso de oferta e pelos altos custos de energia, agravados pelo conflito no Oriente Médio.

Segundo o CEO Markus Kamieth, que falou a repórteres durante um evento na quinta-feira (26), as expectativas de lucro “para os próximos um ou dois anos são significativamente menores do que havíamos previsto no momento da aprovação”. Ele acrescentou: “Espero ver uma melhora no ambiente operacional do setor químico nos próximos dois, três ou quatro anos”.

A empresa está ampliando a produção na unidade de Zhanjiang Verbund, na província de Guangdong, enquanto projeta um cenário cada vez mais desafiador para o setor. A BASF reduziu suas estimativas para a unidade, que agora deve gerar um lucro de cerca de € 100 milhões em 2026.

Nesse contexto, a escalada das tensões envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã tem interrompido fluxos de petróleo bruto e nafta do Oriente Médio, matérias-primas essenciais para a indústria petroquímica asiática.

Após os desafios enfrentados em 2025, as perspectivas para a BASF e outras empresas europeias do setor raramente foram tão negativas. Isso tem impulsionado uma maior consolidação no segmento, avaliado em € 635 bilhões na região, como forma de enfrentar custos crescentes de energia, incertezas comerciais e excesso de capacidade.

Desde que assumiu o comando da empresa em 2024, Kamieth tem buscado reestruturar a BASF para elevar a rentabilidade. Em outubro, vendeu o controle do negócio de revestimentos, avaliado em € 7,7 bilhões, à Carlyle. Segundo ele, a expansão da produção na China pode permitir que a empresa se beneficie de um mercado que ainda apresenta crescimento estrutural superior a 5%.

Apesar dos impactos do conflito no Oriente Médio, algumas condições podem jogar a favor da BASF, já que a atual disrupção evidencia uma divisão crescente entre diferentes modelos de matéria-prima.

Produtores asiáticos mais dependentes do petróleo bruto do Oriente Médio enfrentam maior pressão. Já aqueles que utilizam carvão doméstico ou etano dos Estados Unidos ou da China estão relativamente menos expostos, de acordo com Kelly Cui, diretora de pesquisa de petroquímicos da Wood Mackenzie, em Xangai.

Essa diferença também se reflete no desempenho do mercado. As ações da Ningxia Baofeng Energy Group, ligada ao uso de carvão, e da Satellite Chemical, que utiliza etano norte-americano, subiram 25% e 14%, respectivamente, desde o início do conflito. Em contrapartida, empresas como Rongsheng Petrochemical e Hengli Petrochemical registraram desempenho inferior no mesmo período.

“As empresas estão cada vez mais adotando estratégias de múltiplas fontes, combinando GLP dos Estados Unidos, condensados africanos e gás local sempre que possível”, afirmou Cui.

A BASF, que possui ações acumulam alta de cerca de 13% no ano, alcançando um valor de mercado próximo de 45 bilhões de euros, parece estar relativamente bem posicionada.

Seu complexo de craqueamento em Zhanjiang foi projetado para operar com uma combinação flexível de matérias-primas, como nafta e butano, o que lhe garante mais versatilidade em comparação com unidades mais antigas da região, que dependem exclusivamente da nafta.

Mesmo que ainda adquira parte da nafta do Oriente Médio, a empresa também conta com um contrato de fornecimento de butano com a canadense AltaGas, o que ajuda a diversificar suas fontes de insumo.

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