- A Ânima Educação adquiriu a FMU por R$ 410 milhões, reforçando sua atuação no ensino superior privado.
- A transação será paga em duas etapas, com R$ 240 milhões pagos imediatamente e R$ 170 milhões em 2029.
- A FMU, anteriormente controlada pelo fundo Camp Nou, enfrentou dificuldades financeiras e entrou em recuperação judicial.
- A aquisição visa recuperar participação de mercado e elevar a rentabilidade da FMU, com margem operacional prevista em 42%.
- O novo marco regulatório da educação a distância pode ampliar a demanda por estruturas físicas de ensino.
A Ânima Educação anunciou a aquisição do Centro Universitário FMU por R$ 410 milhões, reforçando sua atuação no mercado de ensino superior privado. Com a incorporação da instituição, a empresa projeta um aumento de aproximadamente 15% em sua base de estudantes e um crescimento de 11% na receita líquida.
O pagamento será realizado em duas etapas. A primeira parcela, no valor de R$ 240 milhões, será quitada imediatamente após a conclusão da operação. Os R$ 170 milhões restantes serão pagos em 31 de dezembro de 2029 ou três anos após o fechamento do negócio, prevalecendo a data que ocorrer primeiro.
A FMU pertencia ao fundo Camp Nou, administrado pela Farallon Capital. Curiosamente, o grupo havia adquirido a universidade da própria Ânima em 2020 por R$ 500 milhões, quando a companhia decidiu se desfazer do ativo durante o processo de compra das instituições da Laureate no Brasil.
Na época, a venda da FMU foi considerada estratégica para acelerar a aprovação da aquisição da Laureate pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), já que a rapidez na conclusão do negócio era considerada essencial.
Desde então, a FMU enfrentou desafios financeiros, perdeu participação no mercado de ensino presencial da capital paulista — passando de 9% para 6% — e entrou em recuperação judicial. O plano de recuperação foi aprovado pelos credores e homologado em fevereiro deste ano.
Atualmente, a instituição conta com seis campi na cidade de São Paulo, 214 polos de ensino a distância (EAD) e cerca de 51 mil estudantes. No ensino presencial da capital paulista, ocupa a quinta colocação em número de alunos, atrás de instituições como UNIP, Uninove e Anhembi Morumbi.
Nos últimos 12 meses, a FMU registrou receita próxima de R$ 280 milhões e um EBITDA de R$ 52 milhões, com margem operacional em torno de 20%.
A expectativa da Ânima é de que a integração da FMU ao seu ecossistema permita recuperar parte da participação de mercado perdida nos últimos anos e elevar significativamente a rentabilidade da instituição. A empresa acredita que a margem operacional da FMU poderá convergir para os cerca de 42% registrados atualmente pela Ânima.
Outro fator que pode favorecer esse crescimento é o novo marco regulatório da educação a distância, aprovado no ano passado. As novas regras determinam que cursos das áreas de saúde, engenharia e pedagogia, antes oferecidos integralmente de forma online, passem a contar com atividades presenciais, ampliando a demanda por estruturas físicas de ensino.
Com a aquisição, a alavancagem financeira da Ânima deverá subir de 2,39 vezes o EBITDA, registrado ao fim do primeiro trimestre, para aproximadamente 2,73 vezes. Ainda assim, a companhia afirma que espera reduzir esse índice nos próximos períodos, impulsionada pelo aumento da geração de caixa e do resultado operacional.
Atualmente, a Ânima Educação está avaliada em cerca de R$ 1,17 bilhão na Bolsa de Valores. Nos últimos 12 meses, as ações da empresa acumularam queda de aproximadamente 22%. Ao final do primeiro trimestre, a companhia mantinha um caixa de R$ 1,8 bilhão.