Apesar da oposição ferrenha do setor de agronegócio, o governo brasileiro segue avançando nas negociações pelo acordo pelo Mercosul-UE (União Europeia). Agora, o foco é tocar a agenda técnica e política de forma simultânea ao processo de ratificação nos países do bloco.
Técnicos do Ministério da Agricultura e Pecuária e integrantes da comissão Europeia no Brasil se encontram na última sexta-feira (13) reforçando mais ainda a avaliação.
ENTENDA AS NEGOCIAÇÕES
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Luís Rua, já sinalizou os avanços das tratativas e disse que possíveis contratempos serão resolvidos ao longo do percalço.
O importante neste momento é avançarmos. Temos de olhar o copo meio cheio. Qualquer problema ou desajuste oriundo do acordo sempre terá possibilidade de reequilíbrio, disse Rua.
RATIFICAÇÃO NA ARGENTINA
A Argentina está perto de se tornar o primeiro país do Mercosul a aderir ao acordo. Por lá, a Câmara já aprovou o projeto e a expectativa é de que o Senado faça o mesmo ainda neste mês. O que pode permitir aplicação provisória caso a União Europeia avance no seu próprio rito institucional.
FPA CONTRA O TRATADO
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) já sinalizou posição contrária ao acordo e até enviou um conjunto de propostas para mitigar riscos do tratado ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB).
A bancada exige regulamentação da Lei de Reciprocidade Econômica que permite que o Brasil emita respostas rápidas caso a União Europeia acione salvaguardas agrícolas contra produtos do Mercosul.
Além disso, a frente também defende a criação de um marco legal específico para salvaguardas bilaterais no país, com regras para reação a surtos de importação e proteção de setores considerados sensíveis.