O diplomata Douglas Almeida compartilhou, em entrevista ao Programa da Tarde, da TV Meio Norte nesta segunda-feira (19), uma trajetória marcada por origem humilde, trabalho precoce e persistência até a aprovação no concurso do Itamaraty.
Natural de Luziânia (GO), no Entorno do Distrito Federal, Douglas contou que começou a trabalhar ainda na adolescência, após a separação dos pais, quando tinha 13 anos. Filho de uma diarista e de um pedreiro, ele precisou conciliar estudo e trabalho para custear despesas básicas e garantir a própria formação. Mesmo matriculado em escola pública, arcava com gastos de transporte e alimentação para estudar em Brasília.
Aos 15 anos, passou a trabalhar nos fins de semana como monitor de brinquedos infantis. Em seguida, atuou como garçom, profissão que exerceu por cerca de 12 anos, até os 27. Durante esse período, construiu uma sólida formação acadêmica, concluindo duas graduações — Relações Internacionais e Letras — além de um mestrado.
Segundo o diplomata, a principal fonte de inspiração veio da mãe, que lhe transmitiu valores, disciplina e incentivo para seguir estudando. Ele ressaltou que a carreira diplomática não era um objetivo inicial. Quando ingressou no curso de Relações Internacionais, em 2017, ainda trabalhava como garçom e tinha como meta atuar na área de internacionalização empresarial.
O rumo profissional, no entanto, mudou após a morte da irmã, aos 21 anos, no mesmo ano. O episódio, segundo Douglas, provocou profundas reflexões pessoais e o levou a redirecionar seus planos de vida.
A preparação para o concurso de diplomata foi longa e exigente. Douglas tentou a seleção cinco vezes até alcançar a aprovação. Ele relatou momentos de frustração ao longo do processo, até receber uma bolsa de estudos por meio de um programa de ações afirmativas, que possibilitou dedicação exclusiva aos estudos entre maio de 2023 e janeiro de 2024.
Durante esse período, manteve uma rotina intensa, com jornadas de estudo que variavam entre 12 e 16 horas diárias. Para o diplomata, a conquista reflete não apenas esforço individual, mas também a importância de políticas públicas voltadas à ampliação do acesso a oportunidades.