- A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do El Niño.
- O fenômeno deve se intensificar durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte, com 63% de probabilidade de atingir intensidade muito forte.
- Os efeitos do El Niño incluem chuvas mais intensas na Região Sul, redução das precipitações no Norte e Nordeste e temperaturas acima da média no Sudeste e Centro-Oeste.
- O fenômeno pode afetar a agricultura, energia e alimentos, com possíveis reduções na produtividade agrícola e aumento do risco de queimadas.
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira (11) a formação do El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Segundo a agência norte-americana, as condições do fenômeno já estão presentes e devem se intensificar durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte.
As condições do El Niño estão presentes e espera-se que se intensifiquem durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte, informou a NOAA.
Formação do fenômeno já era esperada
A confirmação não surpreendeu os meteorologistas, que vinham acompanhando há meses o aquecimento gradual das águas do Pacífico. Em maio, a NOAA já apontava uma probabilidade de 82% de desenvolvimento do El Niño nos meses seguintes. Com a confirmação oficial, a principal discussão agora passa a ser sobre a intensidade que o fenômeno poderá alcançar.
No boletim divulgado nesta quinta-feira, a NOAA informou que existe 63% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte. Caso isso aconteça, o evento poderá figurar entre os mais intensos já registrados desde o início das medições modernas, em 1950. Apesar disso, os especialistas ressaltam que ainda não é possível afirmar se o atual episódio será classificado como um chamado "super El Niño".
O que é o El Niño?
O El Niño e a La Niña são fases opostas do fenômeno climático conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño ocorre quando a temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial fica pelo menos 0,5°C acima da média por um período prolongado. O fenômeno costuma ocorrer em intervalos de dois a sete anos e possui duração média de aproximadamente doze meses.
Enquanto o El Niño provoca o aquecimento das águas do Pacífico, a La Niña é caracterizada pelo resfriamento dessas mesmas águas. Embora sejam fenômenos opostos, ambos exercem forte influência sobre o clima global, alterando padrões de chuva, temperatura e circulação atmosférica em diversas partes do mundo.
Impactos previstos para o Brasil
Os efeitos do El Niño variam de acordo com cada região do país e tendem a ser mais perceptíveis entre os meses de novembro e janeiro, período previsto para o pico do fenômeno. Historicamente, os principais impactos incluem:
Região Sul
- Aumento das chuvas;
- Maior risco de temporais;
- Possibilidade de enchentes e cheias de rios.
Norte e Nordeste
- Redução das precipitações;
- Agravamento de períodos de estiagem;
- Maior risco de seca prolongada.
Sudeste e Centro-Oeste
- Temperaturas acima da média;
- Chuvas mais irregulares;
- Alterações na atuação das frentes frias.
Agricultura, energia e alimentos podem ser afetados
Um El Niño de forte intensidade pode gerar reflexos em diversos setores da economia.
Entre os impactos mais observados estão:
- Redução da produtividade agrícola em algumas regiões;
- Alterações nos níveis dos reservatórios de água;
- Impactos na geração de energia elétrica;
- Aumento do risco de queimadas;
- Oscilações nos preços dos alimentos.
Super El Niño ainda não está confirmado
Apesar das projeções indicarem um evento intenso, os especialistas destacam que o termo "super El Niño" não possui definição científica oficial.
A expressão costuma ser utilizada para descrever episódios excepcionalmente fortes, como os registrados em:
- 1982-1983;
- 1997-1998;
- 2015-2016.
Nos próximos meses, o monitoramento das temperaturas do Pacífico será fundamental para determinar se o fenômeno atual alcançará níveis semelhantes aos desses grandes eventos climáticos históricos.