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Confirmada chegada do El Niño por agência dos EUA; força recorde ainda é dúvida

No Brasil, os efeitos costumam incluir mais chuva no Sul, risco de seca no Norte e no Nordeste e temperaturas mais altas em várias regiões.

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  • A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do El Niño.
  • O fenômeno deve se intensificar durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte, com 63% de probabilidade de atingir intensidade muito forte.
  • Os efeitos do El Niño incluem chuvas mais intensas na Região Sul, redução das precipitações no Norte e Nordeste e temperaturas acima da média no Sudeste e Centro-Oeste.
  • O fenômeno pode afetar a agricultura, energia e alimentos, com possíveis reduções na produtividade agrícola e aumento do risco de queimadas.
Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño | Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA
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A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou nesta quinta-feira (11) a formação do El Niño, fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Segundo a agência norte-americana, as condições do fenômeno já estão presentes e devem se intensificar durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte.

As condições do El Niño estão presentes e espera-se que se intensifiquem durante o inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte, informou a NOAA.

Formação do fenômeno já era esperada

A confirmação não surpreendeu os meteorologistas, que vinham acompanhando há meses o aquecimento gradual das águas do Pacífico. Em maio, a NOAA já apontava uma probabilidade de 82% de desenvolvimento do El Niño nos meses seguintes. Com a confirmação oficial, a principal discussão agora passa a ser sobre a intensidade que o fenômeno poderá alcançar.

No boletim divulgado nesta quinta-feira, a NOAA informou que existe 63% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte. Caso isso aconteça, o evento poderá figurar entre os mais intensos já registrados desde o início das medições modernas, em 1950. Apesar disso, os especialistas ressaltam que ainda não é possível afirmar se o atual episódio será classificado como um chamado "super El Niño".

O que é o El Niño?

O El Niño e a La Niña são fases opostas do fenômeno climático conhecido como ENOS (El Niño-Oscilação Sul). O El Niño ocorre quando a temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial fica pelo menos 0,5°C acima da média por um período prolongado. O fenômeno costuma ocorrer em intervalos de dois a sete anos e possui duração média de aproximadamente doze meses.

Enquanto o El Niño provoca o aquecimento das águas do Pacífico, a La Niña é caracterizada pelo resfriamento dessas mesmas águas. Embora sejam fenômenos opostos, ambos exercem forte influência sobre o clima global, alterando padrões de chuva, temperatura e circulação atmosférica em diversas partes do mundo.

Impactos previstos para o Brasil

Os efeitos do El Niño variam de acordo com cada região do país e tendem a ser mais perceptíveis entre os meses de novembro e janeiro, período previsto para o pico do fenômeno. Historicamente, os principais impactos incluem:

Região Sul

  • Aumento das chuvas;
  • Maior risco de temporais;
  • Possibilidade de enchentes e cheias de rios.

Norte e Nordeste

  • Redução das precipitações;
  • Agravamento de períodos de estiagem;
  • Maior risco de seca prolongada.

Sudeste e Centro-Oeste

  • Temperaturas acima da média;
  • Chuvas mais irregulares;
  • Alterações na atuação das frentes frias.

Agricultura, energia e alimentos podem ser afetados

Um El Niño de forte intensidade pode gerar reflexos em diversos setores da economia.

Entre os impactos mais observados estão:

  • Redução da produtividade agrícola em algumas regiões;
  • Alterações nos níveis dos reservatórios de água;
  • Impactos na geração de energia elétrica;
  • Aumento do risco de queimadas;
  • Oscilações nos preços dos alimentos.

Super El Niño ainda não está confirmado

Apesar das projeções indicarem um evento intenso, os especialistas destacam que o termo "super El Niño" não possui definição científica oficial.

A expressão costuma ser utilizada para descrever episódios excepcionalmente fortes, como os registrados em:

  • 1982-1983;
  • 1997-1998;
  • 2015-2016.

Nos próximos meses, o monitoramento das temperaturas do Pacífico será fundamental para determinar se o fenômeno atual alcançará níveis semelhantes aos desses grandes eventos climáticos históricos.

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