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Como peça de 500 kg fez o crime mirar os carros elétricos no Brasil

Entre janeiro e maio de 2026, o estado de São Paulo registrou 107 ocorrências envolvendo veículos eletrificados, contra 53 no mesmo período de 2025, um aumento de 101%

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  • Crime de roubo e furto de veículos eletrificados cresce 101% em São Paulo em 2026.
  • Frota de carros elétricos e híbridos cresceu 71,7% em 2026, atingindo 765,9 mil unidades.
  • Baterias de alta tensão são o principal alvo dos criminosos, com valor de até R$ 70 mil.
  • Seguros de veículos eletrificados sofreram reajustes superiores aos de carros a combustão.
  • Roubos completos de veículos são mais comuns, exigindo equipamentos especializados para desmontagem.
Mesmo na clandestinidade, remover a bateria de um carro elétrico exige conhecimento técnico avançado | Foto: Reprodução/UOL
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O crescimento da frota de carros elétricos e híbridos no Brasil tem sido acompanhado pelo aumento dos roubos e furtos desses veículos. Além da facilidade de recarga em locais isolados, o principal alvo dos criminosos é a bateria de alta tensão, componente de maior valor no mercado paralelo de peças.

Entre janeiro e maio de 2026, o estado de São Paulo registrou 107 ocorrências envolvendo veículos eletrificados, contra 53 no mesmo período de 2025, um aumento de 101%, segundo levantamento da Ituran Brasil com base em dados oficiais.

Alta supera crescimento da frota

No mesmo intervalo, a frota de veículos eletrificados cresceu 71,7%, passando de 445,9 mil para 765,9 mil unidades, conforme dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A capital paulista concentrou 74 ocorrências. Em 2026, os furtos passaram a representar 85% dos casos, enquanto os roubos responderam por 15%.

No Rio de Janeiro, levantamento do Sindseg-RJ/ES aponta que a frequência de roubos e furtos de veículos elétricos e híbridos plug-in corresponde a 3,85% da frota segurada, percentual superior ao registrado entre veículos a combustão, que ficou em 2,17%.

Baterias são o principal alvo dos desmanches

Segundo especialistas, o principal atrativo para o mercado ilegal é a bateria de alta tensão, peça mais cara dos veículos eletrificados. No BYD Dolphin, por exemplo, a substituição da bateria de 44,9 kWh custa mais de R$ 70 mil, cerca de metade do valor do automóvel.

Já no Renault Kwid E-Tech, a troca da bateria de 26,8 kWh varia entre R$ 40 mil e R$ 50 mil, enquanto no GWM Ora 03 o custo é semelhante ao do modelo da BYD.

Reportagem do UOL Carros encontrou baterias usadas sendo anunciadas em marketplaces por valores entre R$ 17 mil e R$ 35 mil, menos de 20% do preço de reposição, sem informações sobre a procedência. Especialistas alertam que essas peças podem ser provenientes tanto de veículos sinistrados quanto de carros roubados ou furtados.

Criminosos roubam o veículo inteiro

Ao contrário do que circula nas redes sociais, criminosos não retiram a bateria de veículos estacionados nas ruas.

Como o conjunto fica instalado no assoalho do veículo, integrado à estrutura e conectado ao sistema elétrico de alta tensão, a remoção exige equipamentos específicos, elevadores, ferramentas isoladas e mão de obra especializada. As baterias pesam entre 300 kg e 500 kg, dependendo do modelo.

Por isso, a prática mais comum é o roubo do veículo completo, que é levado para desmanches clandestinos, onde a desmontagem ocorre com mais tempo e infraestrutura.

Seguros também ficam mais caros

O aumento dos roubos e furtos já impacta o mercado de seguros. Segundo levantamento da Creditas Seguros realizado em 11 capitais brasileiras, o crescimento da frequência de sinistros tem levado as seguradoras a elevar o valor das apólices de veículos eletrificados, com reajustes superiores aos observados para automóveis movidos a combustão.

(Com informações da UOL Carros)

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