O transporte de gado vivo dobrou na comparação entre 2023 e 2025. Apesar de as vendas serem menores do que as de carne bovina, que superou 3 bilhões de quilos no ano passado, a exportação de bovinos vivos bateu recorde em 2025, chegando a quase 4 milhões de quilos, segundo a Agrostat, plataforma do Ministério da Agricultura.
Uma das formas de fazer esse transporte é por navios. A maioria desses bois é comprada por outros países para engorda e abate no exterior. O processo é mais caro do que comprar a carne refrigerada, já que os animais ocupam mais espaço e o cliente ainda vai arcar com o restante do valor da produção.
Esse tipo de comercialização tem duas motivações: populações que preferem carne de animais abatidos recentemente, por considerá-la mais fresca; e a realização de protocolos religiosos específicos para o abate, aponta o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Gado (Abeg), Lincoln Bueno.
Existe ainda o transporte por avião, mas ele é voltado para exportação de bovinos com foco no material genético, ou seja, para reprodução. Os principais clientes são os países da região do Magreb, formada por Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Mauritânia e Saara Ocidental. A viagem costuma levar cerca de 10 dias.
Segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), a fiscalização é rígida e, ao sair do Brasil, todos os navios estão dentro das exigências da lei. Para Bueno, da Abeg, a exportação de gado vivo ajuda a regular o preço do boi no mercado interno, garantindo remuneração do criador mesmo em períodos de queda nos valores da carne.
"O pecuarista fica contente, por isso que, quando alguém reclama ou quer proibir, se juntam a Confederação Nacional da Agricultura, a Sociedade Rural Brasileira... Entram todos ali [na discussão] e não deixam [proibir]", afirma.