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Maison Mesa, dez anos de moda emocional

A liberdade criativa de Juan Carlos Mesa entre Madrid e Málaga

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  • Juan Carlos Mesa celebra 10 anos da Maison Mesa com exposição em Málaga e presença em eventos de moda madrilenha.
  • A Maison Mesa combina moda, arte, música e emoção, criando coleções que transcendem o vestuário.
  • A exposição "Emotional Fashion" reúne memórias, desejos e referências artísticas da trajetória da marca.
  • O documentário revela o processo criativo da Maison, destacando a importância do ofício e da inovação.
  • Mesa apresenta coleções inspiradas em noites de festa e cinema, unindo elegância e liberdade em suas criações.
Foto: Divulgação |
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Entre costura, arte, música, memória e uma elegância que não teme a irreverência, Juan Carlos Mesa celebra uma década de Maison Mesa em um dos momentos mais simbólicos de sua trajetória. Em setembro, o criador espanhol esteve nas duas grandes plataformas da moda madrilenha, recebeu uma homenagem no OMODA Madrid es Moda e levou à Mercedes-Benz Fashion Week uma coleção construída como uma última noite de festa. Em Málaga, uma exposição retrospectiva transforma seus dez anos de criação em memória.

Há designers que criam roupas. Outros constroem universos.

Juan Carlos Mesa pertence claramente ao segundo grupo.

Em suas coleções, a moda raramente aparece sozinha. Há música, cinema, arquitetura, personagens, emoções, performances e referências artísticas. Há também uma ideia recorrente de liberdade, de vestir, de criar e, sobretudo, de ser.

Em 2026, esse universo completa uma década sob o nome Maison Mesa.

Dez anos podem parecer uma efeméride relativamente jovem para uma casa de moda, mas, no caso de Mesa, contam apenas parte da história. Por trás da marca existe uma trajetória de mais de três décadas na moda espanhola, construída antes mesmo de o designer decidir colocar seu próprio nome e sua própria visão no centro do projeto.

Mesa trabalhou com nomes fundamentais da moda espanhola, entre eles Jesús del Pozo, Ángel Schlesser e Ágatha Ruiz de la Prada, onde exerceu funções criativas durante mais de uma década. Sua experiência atravessa ainda o estilismo, a cenografia, o figurino para teatro, cinema e ópera, a docência e diferentes linguagens artísticas.

Quando decidiu seguir seu próprio caminho, em 2016, não estava exatamente começando.

Estava, talvez, conquistando a liberdade de reunir em uma mesma casa tudo aquilo que havia aprendido.

Uma Maison profundamente ligada a Madrid

Maison Mesa nasceu pelas mãos de Juan Carlos Mesa e Sandys García e construiu uma relação especialmente próxima com Madrid.

Seu atelier na Calle Reina mantém viva uma dimensão essencial de seu trabalho: a costura de autor e o valor do ofício.

Mesmo quando suas coleções se tornam cenográficas, coloridas ou provocadoras, existe por trás delas uma pesquisa técnica de tecidos, volumes, cortes e construção.

É justamente essa convivência entre disciplina e liberdade que ajuda a entender a identidade Maison Mesa.

O próprio designer já definiu essa dualidade de maneira particularmente precisa: um “clássico vanguardista”. A tradição não aparece como algo a ser abandonado, mas como uma base a partir da qual é possível experimentar.

Talvez por isso seu trabalho transite com tanta naturalidade entre uma peça de alfaiataria e um vestido fluido, entre referências históricas e elementos contemporâneos, entre o rigor da construção e a emoção de uma performance.

Dez anos transformados em exposição

Essa história ganhou agora espaço de museu.

Até 15 de novembro de 2026, o Museu do Automóvel e da Moda de Málaga apresenta “Maison Mesa: Emotional Fashion”, exposição retrospectiva que percorre os dez anos da marca.

Mais do que organizar cronologicamente coleções passadas, a mostra propõe uma leitura emocional da trajetória da Maison.

Memória, desejo, fantasia, identidade, rebeldia, amor e liberdade aparecem como fios invisíveis conectando diferentes momentos da criação.

Coleções emblemáticas, entre elas No Soy Ningún Ángel e The Passion of Lovers, ajudam a contar essa história, ao lado de colaborações artísticas e de elementos que mostram como Mesa sempre procurou levar a moda para além da própria roupa.

Porque, em Maison Mesa, um desfile nunca é apenas uma sequência de looks.

A música importa.

A iluminação importa.

O espaço importa.

A maneira como a modelo se move importa.

A história que antecede a primeira saída também importa.

Um documentário entra no processo criativo

A retrospectiva de Málaga incorpora ainda um documentário dirigido por Miguel Thevirum, que aproxima o público dos bastidores criativos da Maison.

O filme acompanha aquilo que normalmente desaparece quando as luzes da passarela se acendem: a pesquisa, as ideias iniciais, o trabalho de atelier, a construção das peças e a preparação dos desfiles.

É uma escolha coerente para uma exposição que procura mostrar não apenas o resultado, mas o processo.

Porque celebrar dez anos de uma marca também significa celebrar as mãos que costuram, cortam, modelam e tornam possível aquilo que, durante alguns minutos de desfile, parece simplesmente acontecer.

Madrid es Moda: “The Beautiful Hours”

Setembro trouxe ainda outra particularidade: Maison Mesa esteve presente nos dois grandes momentos da Semana da Moda de Madrid.

Primeiro, no OMODA Madrid es Moda.

Além de participar do desfile inaugural nos Jardins de Sabatini, a Maison apresentou, no dia 9, no Coque, “The Beautiful Hours”, coleção Outono/Inverno 2026/27 acompanhada de peças inéditas de costura.

O ponto de partida era quase afetivo: aquelas horas compartilhadas que permanecem na memória, conversas longas, encontros inesperados, risadas e momentos nos quais o tempo parece suspenso.

A própria construção das roupas acompanha essa passagem.

As silhuetas começam mais arquitetônicas e contidas e gradualmente se tornam mais livres, sensuais e leves. A paleta percorre tons terrosos, azuis, rosas, verdes, laranjas e azul-petróleo, além de blocos intensos de amarelo e vermelho e momentos inteiramente em preto ou branco.

Nos materiais, aparecem contrastes entre tartans, risca de giz, tecidos de aparência mais estruturada e superfícies mais leves.

É Maison Mesa trabalhando novamente com uma ideia que atravessa boa parte de sua produção: a roupa como tradução de um estado emocional.

Uma homenagem no coração da moda madrilenha

Foi também durante o OMODA Madrid es Moda que a trajetória da Maison recebeu um reconhecimento especial.

A organização homenageou os dez anos de Maison Mesa, destacando tanto a década da marca quanto a extensa carreira de Juan Carlos Mesa e sua contribuição à moda espanhola.

O momento tem um simbolismo particular porque Madrid es Moda acompanha há anos o trabalho da Maison e oferece justamente um formato no qual Mesa parece se mover com naturalidade: a possibilidade de colocar moda, cidade, patrimônio e performance em diálogo.

E, apenas alguns dias depois, o designer mudaria novamente de cenário.

“Last Dance at the Grand Hotel”: a última dança antes do amanhecer

Na Mercedes-Benz Fashion Week Madrid, Maison Mesa apresentou no claustro da Universidad Nebrija a coleção Primavera/Verão 2027, “Last Dance at the Grand Hotel”.

E, desta vez, a inspiração parece uma sequência de cinema.

Imagine um grande hotel europeu.

A noite começa elegante, quase obediente aos códigos sociais. Os convidados chegam. A festa avança. As horas passam. As regras começam a desaparecer. As roupas acompanham essa transformação.

Até que chega o amanhecer.

Essa é a narrativa que estrutura a coleção.

Há nela referências à atmosfera cinematográfica dos grandes hotéis europeus e às festas que parecem não terminar. A proposta trabalha com elegância contemporânea, sensualidade e referências à Bauhaus, enquanto tecidos e silhuetas ganham progressivamente movimento e liberdade.

Mais do que representar uma festa, Mesa transforma o próprio desfile em uma noite completa.

E existe algo particularmente bonito nessa escolha justamente no ano em que a Maison completa uma década.

Depois de dez anos, ele escolhe celebrar dançando.

Moda como emoção, não apenas tendência

Talvez seja justamente essa a chave para compreender Maison Mesa.

Em um setor permanentemente pressionado pela novidade, Juan Carlos Mesa parece interessado em algo menos efêmero: o que uma roupa é capaz de fazer alguém sentir.

Suas coleções podem nascer de amantes, de noites, de lembranças, de personagens ou de experiências. A referência muda, mas existe uma continuidade na maneira de pensar.

Moda, para Mesa, pode ser costura, mas também pode ser música. Pode ser arquitetura. Pode ser espetáculo. Pode ocupar um museu, um restaurante, uma universidade ou uma passarela. Pode dialogar com o passado sem necessariamente parecer nostálgica.

E pode, sobretudo, contar histórias.

Aos dez anos, Maison Mesa chega a um momento raro: suficientemente consolidada para olhar para trás, como faz agora na retrospectiva de Málaga, e ainda inquieta o bastante para continuar experimentando.

Entre “The Beautiful Hours” e “Last Dance at the Grand Hotel”, entre Madrid e Málaga, entre a homenagem e o próximo desfile, Juan Carlos Mesa parece celebrar sua primeira década da mesma maneira como construiu sua Maison: sem separar completamente moda e vida.

Porque talvez a melhor definição desses dez anos esteja justamente ali.

Maison Mesa não veste apenas corpos. Veste personagens, memórias e emoções, e transforma cada coleção em mais um capítulo de uma história que ainda está longe de terminar.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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